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Vacinação desacelera, casos sobem e SP se prepara para piora da pandemia

19.mai.2021 - O governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa realizada no Palácio dos Bandeirantes Imagem: Vinicius Nunes/Estadão Conteúdo

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

26/05/2021 04h00Atualizada em 26/05/2021 14h56

A queda no ritmo das vacinas aplicadas no estado de São Paulo, especialmente no das segundas doses, associada à subida na curva de contaminações, volta a colocar no horizonte paulista um possível agravamento da pandemia de covid-19.

Levantamento do Instituto Infotracker, da Universidade de São Paulo, feito a pedido do UOL, revela que a média de contaminações — calculada com base nos sete dias anteriores —, já era alta, mas tem aumentado a cada dia.

Esse número caiu, como mostra o gráfico abaixo, até o dia 8 de maio, com 11.320 casos. Desde então, vem aumentando progressivamente. Até a última segunda-feira (24), São Paulo registrou média de casos de 13.697.

Para os estudos, foram consideradas a média móvel de casos, internações (em UTI e enfermaria) e vacinas aplicadas no estado de São Paulo nas últimas semanas, todos disponibilizados pelo governo paulista.

Parte das pessoas contaminadas com a covid-19 desenvolvem casos moderados ou graves, que demandam leitos de enfermaria e UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Já é possível ver o reflexo desses casos na média móvel de internações, que também está aumentando, e, até segunda, marcava 2.557 novas internações.

Os membros do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, pasta que assessora o governador João Doria (PSDB) nas ações contra a pandemia, entende que os números estão piorando.

"Nós já estamos vendo [uma piora no cenário]. Um indicador disso é de que, desta vez, temos uma aceleração de casos que aparece mais evidente do que aceleração de internações", disse o coordenador do comitê, Paulo Menezes, ao UOL.

Única arma comprovadamente eficaz contra o vírus, a vacinação contra a covid-19 tem desacelerado no país em meio ao atraso no envio de insumos da vacina CoronaVac, do Instituto Butantan, e da Astrazeneca, produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Leitos, kit intubação e oxigênio

O governo de São Paulo, ao menos internamente, já tem ciência da piora nos dados e o receio do cenário da pandemia que está por vir.

Nas últimas coletivas de imprensa, o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, relatou as medidas que estão sendo tomadas, como a manutenção dos 14 mil leitos que foram abertos para pacientes com covid-19 durante os picos da pandemia.

"Por outro lado, toda atenção aos insumos. Fizemos aquisição de mais de 2 mil cilindros de oxigênio. Criamos uma grande estrutura hoje de logística, que aprendemos muito bem, no sentido de garantir oxigênio para todos os municípios", disse o secretário na coletiva da quarta-feira da semana passada.

Os kits intubação, usados par sedar pacientes que vão para UTI, também foram alvo de investimento. "Estamos financiando uma aquisição de mais de 9 milhões de kits e doses no mercado internacional. Então, estamos muito atentos", concluiu Gorinchteyn.

A prefeitura de São Paulo também tem se movimentado para aguentar mais uma alta demanda de leitos de hospitais.

"Números foram confirmando aumento da transmissão"

"Ao longo da semana os números foram confirmando um aumento de transmissão. No Centro de Contingência predomina uma preocupação sobre as consequências da maior flexibilização, da maior mobilidade e transmissão consequente. Mas também existe um entendimento de que é necessário que haja esse retorno de atividade econômica que vem sendo feito", explicou o médico Paulo Menezes.

Apuração da reportagem, no entanto, aponta que não há consenso pela reabertura econômica no estado. Médicos ouvidos pelo UOL entendem que o cenário não é favorável para aberturas que aumentem a circulação de pessoas.

O coordenador-executivo do comitê, João Gabbardo, já avisou na semana passada que os números da pandemia seriam altos até o meio de junho.

Questionado se a população deveria se preparar para mais um agravamento da pandemia, Menezes pediu que as pessoas, se forem sair de casa, protejam-se o máximo que puderem.

A população deve entender que existe já uma grande transmissão do vírus. Quando sair para trabalhar, fazer compras, acessar serviços, todas as medidas de proteção têm que ser mantidas. Estamos tendo retomada de atividades, mas é necessário manter as medidas de proteção: distanciamento e máscara. O vírus está circulando, vai continuar circulando."
Paulo Menezes, médico coordenador do Centro de Contingência

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