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Centro de Contingência de covid não vê cenário para flexibilização em SP

Movimentação no comércio de São Paulo durante pandemia - Mineto / Estadão Conteúdo
Movimentação no comércio de São Paulo durante pandemia Imagem: Mineto / Estadão Conteúdo

Leonardo Martins e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

06/05/2021 04h00Atualizada em 06/05/2021 11h45

Os médicos do Centro de Contingência do Coronavírus do estado de São Paulo veem com reserva e contrariedade a possibilidade de flexibilização das regras do Plano SP nesta sexta-feira (7). O comitê que aconselha o governo paulista nas decisões sobre a pandemia vê situação estável no estado, mas sem espaço para folgas.

Segundo a Secretaria de Saúde, o estado registrou, na semana epidemiológica terminada no último sábado (1º), uma alta de 2,5% nos novos casos diários de covid-19 em comparação à semana anterior. O índice relativo às internações estabilizou. Já o de óbitos teve uma leve queda. Para o conselho, a tendência é mais de estagnação do que de alta, mas, diferente do que sugeriu o governador João Doria (PSDB), não é o melhor momento para maiores aberturas.

Flexibilizar jamais. Mais do que está agora, não dá. Por enquanto, o toque de recolher [até 20h] tem sido importante e a ocupação máxima [de 25%] também seria, se respeitassem. Muitos lugares não respeitam, se flexibilizar mais, aí é que não vão [respeitar] mesmo."
Médico do comitê, que pediu para não ter a identidade revelada, ao UOL

O comitê avalia que a variação pode ser justificada por um represamento de casos estimulado pelo feriado do dia 21. Poderia haver, na verdade, uma estagnação nos indicadores. Em todo caso, os números não mostram que é hora de flexibilizar, abrir bares e estender horários.

Atualmente, o estado está na terceira etapa da chamada "fase de transição", que se assemelha muito à fase laranja, com diferença do toque de recolher e da ocupação máxima dos locais.

A redução de todos os indicadores, como anunciado na semana passada, foi comemorada pelo governo paulista e pelo Centro de Contingência como resultado direto dos 40 dias de fases vermelha e emergencial. Agora, com a flexibilização, os dados já passam a poder anunciar outro cenário.

Ontem (5), o governador João Doria (PSDB) levantou a possibilidade de um afrouxamento maior.

"Estamos otimistas com relação à evolução do processo. Evolução positiva do Plano SP migrando talvez para uma fase menos restritiva, mas só teremos a confirmação definitiva de fato na sexta-feira", declarou.

Ao UOL, os médicos disseram que não se pode ver uma melhora, como ocorreu no estado, e já reabrir. O efeito será uma nova onda de casos, internações e mortes.

Eles dizem entender que Doria tenha suas demandas, mas são contrários a uma reabertura maior. Na reunião de terça (4), parte do grupo pediu maior fechamento, enquanto outra parte avaliou manter: não se falou em relaxar.

"É um cenário delicado porque os números não estão exatamente folgados e nós sabemos que tudo é, também, uma questão de comunicação. Falar que flexibilizou, mudou de fase, pode passar uma mensagem errada à população de que estamos melhores do que realmente estamos", declarou o médico do comitê.

Após a publicação da matéria, a Secretaria de Saúde enviou uma nota afirmando que a opinião de "um ou mais médicos" não é a posição do comitê.

"O grupo é formado por 21 especialistas e as diretrizes são fruto do consenso entre o colegiado. Todas as decisões são debatidas com o governo de São Paulo e são levadas em consideração as evidências técnicas e científicas para as medidas a serem adotadas no Plano São Paulo", diz a nota.

Na entrevista coletiva de ontem, João Gabbardo, coordenador-executivo do comitê, reforçou que não é momento de relaxar, mas adiantou que os números atuais "não indicam que haja necessidade de fazer qualquer retrocesso" no Plano. Segundo ele, o que a população precisa é entender que "a situação segue muito grave".

Para Paulo Menezes, coordenador do Centro, as tendências ainda precisam ser analisadas. Os números divulgados na coletiva representam a semana terminada no dia 1º. Para a decisão da sexta, o comitê analisará os números desta semana.

"Essa semana é decisiva para saber que decisão tomaremos. Algumas medidas são diferentes também por causa da vacinação. Mas ainda não definimos", afirma Menezes.

No final da tarde, o comitê se reunirá mais uma vez, para que o martelo seja batido em outra reunião amanhã (7) com outros setores do governo. A reabertura de bares não é cogitada.

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