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Coronavírus

Um a cada 4 casos de covid na Grande SP é da variante delta, diz pesquisa

Movimentação na estação São Bento da linha 1-Azul do Metrô,no centro de São Paulo (SP) - WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação na estação São Bento da linha 1-Azul do Metrô,no centro de São Paulo (SP) Imagem: WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

03/08/2021 15h44

Quase um a cada quatro casos confirmados para covid-19 na Grande São Paulo é da variante delta (B.1.617). De acordo com o Instituto Adolfo Lutz, 23,5% dos confirmados na região metropolitana são referentes a esta mutação.

Os dados são do último relatório de monitoramento de variantes publicado pelo instituto ligado ao governo paulista no último domingo (1º). No estado, a incidência ainda é de 4%, mas variante já mostra ascendência em relação à gama (P.1), variante que teve seus primeiros casos ligados a Manaus, em janeiro.

Segundo o relatório, baseado no sequenciamento genômico de amostras de testes positivos nas últimas três semanas, a prevalência na região metropolitana da capital segue sendo da variante gama: 74,21% contra 23,3%.

O relatório foi publicado menos de duas semanas depois de a Prefeitura de São Paulo confirmar a transmissão comunitária da delta na capital e acende um alerta na prefeitura. Este crescimento pode ser considerado rápido e confirma os indícios de maior agressividade da variante, identificada inicialmente na Índia em outubro, para transmissão.

Além da Grande São Paulo, a delta já apresenta incidência relevante também na região de Taubaté, no interior, com prevalência de 9,5%. No estado todo, a variante ainda representa apenas 4% dos casos ante 80% da gama.

O mapeamento é feito semanalmente pelo Adolfo Lutz com base na amostragem de testes positivos recolhidos pelo estado —mas, desde o começo da pandemia de covid-19, o Brasil realiza poucos testes, e menos ainda com sequenciamento genômico. Até então, segundo o instituto e o CVE-SP (Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo), há 25 casos confirmados da delta no estado.

Incidência aponta para predominância em relação à gama

Por onde passou, a delta tornou-se predominante em relação às outras variantes de atenção, como a alfa, na Europa, e as linhagens dos Estados Unidos. Em São Paulo, ela começa a mostrar a mesma tendência em relação à gama.

A gama é predominante desde que chegou ao estado, no fim de dezembro. Desde março, é responsável por cerca de 80% dos casos. A tendência começa a mudar no final de junho, com a chegada da delta, com crescimento da nova variante.

Variantes no estado de São Paulo - Reprodução/IALutz - Reprodução/IALutz
Imagem: Reprodução/IALutz

"Isso é muito interessante e preocupante de se observar. Mostra que ela já está se prevalecendo em relação à gama e que precisamos ficar de olho. É uma variante muito agressiva, como observamos em todo o mundo", avalia Wallace Casaca, coordenador do Info Tracker, plataforma que acompanha o desenvolvimento da covid em São Paulo.

Prefeitura de SP mostra preocupação

Em coletiva na tarde de hoje, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, mostrou preocupação com o crescimento da delta no país e na cidade e também apontou para uma prevalência da delta em relação à gama como já ocorreu no México.

Podemos ver incidência da variante delta em várias países, a forma como ela se desenvolveu rapidamente, como ela tomou a prevalência. Se formos ver no Reino Unido, a variante [alfa] ocupava 100% dos casos. Em abril, surge a variante delta e em menos de 2 meses ela ocupa todo o cenário de prevalência da pandemia.
Edson Aparecido, secretário de Saúde de São Paulo

Além do Adolfo Lutz, a Prefeitura de São Paulo faz ainda sequenciamento genético com auxílio do Instituto Butantan e do Instituto de Medicina Tropical da USP (Universidade de São Paulo).

Entre as medidas anunciadas para tentar mapear a proliferação da variante, estão a realização de barreiras sanitárias em aeroportos e terminais rodoviários e a distribuição de máscaras para casos sintomáticos respiratórios e de oxímetros para pessoas com grupos de risco.

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