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Conteúdo publicado há
5 meses

Doria influenciou na nova formação do comitê independente anticovid

Governador João Doria (PSDB-SP) anunciou hoje em coletiva de imprensa as mudanças sobre o Centro de Contingência - Reprodução
Governador João Doria (PSDB-SP) anunciou hoje em coletiva de imprensa as mudanças sobre o Centro de Contingência Imagem: Reprodução

Henrique Sales Barros, Lucas Borges Teixeira e Rayanne Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

18/08/2021 13h11Atualizada em 18/08/2021 17h55

O governador João Doria (PSDB) confirmou hoje que ajudou a montar a nova configuração do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo. Desmembrado na última sexta-feira (13), o governo anunciou que o grupo, agora chamado Comitê Científico, foi reduzido de 21 para 9 médicos.

Inicialmente, na segunda-feira (16), a Secretaria de Saúde havia afirmado que a escolha dos membros cabia aos participantes, mas ex-integrantes já vinham sinalizando ao UOL que havia influência do governo. Em coletiva hoje, Doria confirmou ter dado sugestões, por falta de consenso no comitê.

"Dei a opção a eles de escolherem, até pra que ficasse bem claro que não houvesse preferência do estado de SP por este ou por aquele, por esta ou por aquela. Eles preferiram delegar de volta ao governo de SP para que se tomasse a decisão", justificou Doria, que sempre destacou o tom independente do grupo, criado no final de fevereiro de 2020.

Obviamente, no vácuo a gente não fica; em cima do muro, também não. Sendo assim, fizemos a indicação dos nomes com a ajuda do Paulo Menezes e do João Gabbardo."
João Doria, governador de São Paulo

Agora, o grupo deverá ser chamado de Comitê Científico e será formado por João Gabbardo, Paulo Menezes, David Uip, José Medina, Geraldo Reple, Carlos Carvalho e Luiz Carlos Pereira, Eloísa Bonfá e Esper Kallás, que já compunham o Centro de Contingência. Menezes e Gabbardo seguem na coordenação.

Agenda x divergência interna

O grupo, responsável por analisar os dados semanais da evolução da pandemia no estado e fazer sugestões de flexibilização ou estreitamento das regras da pandemia, sempre foi o orgulho de Doria, destacado por sua posição independente.

O motivo para a redução, apontado tanto por Doria quanto pela Secretaria de Saúde, seria a melhoria dos indicadores da pandemia e a agenda dos participantes. Para integrantes ouvidos pelo UOL, a melhoria, que lavou à diminuição das decisões semanais, impactou, mas as divergências internas também foram um fator relevante.

Segundo relatos, havia alguns meses, que as reuniões semanais, realizadas virtualmente todas as terças, já não tinham frequência regular de parte do grupo. Os motivos seriam variados: de agenda a discordâncias com as decisões tomadas por Doria.

O último grande embate se deu sobre o fim das medidas restritivas para comércio e serviços, anunciada no mês passado, que começou a valer a partir de ontem (17).

Para parte do comitê, as flexibilizações só deveria ocorrer com mais de 80% da população vacinada. Para outra parte maior, cujos nomes permaneceram no novo comitê, o acompanhamento diário das melhorias garante este controle.

Desde o fim do ano passado, o governo vinha parcialmente adotando as medidas sugeridas. Algumas ações que achamos importantes eles não fizeram. E eu entendo: somos consultores, não podíamos exigir nada, mas claramente estava deixando desconfortável o comitê em si e o próprio governo. A redução já era esperada."
Marcos Boulos, infectologista e ex-membro do Centro

"Muito barulho por nada"

Tanto Doria quanto Menezes, que se manteve como coordenador, negam que as escolhas de quem ficaram tenham sido baseadas em posicionamentos políticos.

"Não foi isso o que levou a essa modificação. Estamos em uma nova fase, em que não é mais necessário avaliarmos a cada dia fechar isso, abrir aquilo", declarou Menezes, na coletiva. Ao UOL, ele disse que a mudança é "natural" e vê um excesso na repercussão do assunto.

O principal não vai mudar, seguiremos acompanhando os dados diariamente e conversando. Se precisarmos, eles [ex-integrantes] se colocaram à disposição. Mas, na prática, não vai fazer tanta diferença. É muito barulho por nada."
Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico

Ainda segundo Menezes, havia poucas vozes dissonantes e divergências em momentos como esse são "esperadas".

"Um Novo Tempo"

A reestruturação do comitê se dá em meio não só ao fim da quartena, comemorado por Doria hoje, como de um novo tom do governo do estado. Com anúncios da liberação de grandes eventos, Doria tem falado em "um novo tempo", nova hashtag que adorna os púlpitos e título da música que tem encerrado as coletivas.

"Estou feliz pois já não temos mais quarentena em São Paulo. Isso porque a nossa opção foi a opção pela vida, pela ciência, pela medicina, pelo respeito às pessoas", declarou Doria.

Nas coletivas semanais, o clima está cada vez mais leve e elogioso ao governador, que deverá Doria foi enaltecido por quase toda a equipe de secretários e membros do comitê.

Menezes, Gabbardo e Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde, agradeceram a liderança do governador. Regiane de Paulo, coordenadora do PEI (Programa Estadual de Imunização), se emocionou ao contar da vacinação da filha.

Atualmente, o estado, que vinha acompanhando queda no número de mortes, viu os óbitos se estabilizarem, com variação de 5% e média de 265 mortes por covid-19 nos últimos sete dias, segundo o consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte.

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