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Análise indica que vacina não foi causa provável da morte de jovem, diz SP

A causa da morte, provavelmente, não está relacionada à vacina contra o coronavírus - iStock
A causa da morte, provavelmente, não está relacionada à vacina contra o coronavírus Imagem: iStock

Colaboração para o UOL

17/09/2021 18h44Atualizada em 17/09/2021 21h51

A Secretaria de Saúde de São Paulo concluiu hoje o diagnóstico de doença autoimune em uma adolescente, de 16 anos, que morreu sete dias depois de ser vacinada contra a covid-19. O caso ocorreu em São Bernardo do Campo (SP).

Segundo o relatório da Secretaria, os boletins apontam que causa da morte, provavelmente, está ligada à doença autoimune e não à vacina contra o coronavírus. A jovem sofria de PPT, ou Púrpura Trombótica Trombocitopênica.

A condição é rara e grave, ainda não é possível rastrear o que causa a doença e nem como ela é desencadeada. "Não há como atribuir relação causal entre PTT e a vacina contra covid-19 de RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer", disse a Secretaria. O relatório foi submetido à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Anvisa segue investigação

Cerca de três horas após a nota divulgada pelo governo de São Paulo, a Anvisa afirmou que continuará investigando o caso.

"Mesmo com a divulgação da Nota Informativa pelo Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, que conclui não ser possível atribuir diretamente o óbito à vacinação, a Anvisa participará de ação de campo nos próximos dias, representada por servidor especializado em ações de farmacovigilância e em conjunto com as autoridades locais de saúde, para obter mais informações sobre a investigação do evento", comunicou, em seu site.

Mais cedo, o órgão federal se reuniu com representantes da Pfizer para tratar da suspeita lançada sobre a vacina com o ocorrido.

A agência manteve a orientação para que a vacina da Pfizer seja aplicada em adolescentes. "Até o momento, os achados apontam para a manutenção da relação benefício versus o risco para todas as vacinas autorizadas no Brasil, ou seja, os benefícios da vacinação excedem significativamente os seus potenciais riscos."

Crítica ao ministério da Saúde

A Secretaria de Saúde de São Paulo falou que a morte da jovem de São Bernardo do Campo "foi divulgado ontem de forma intempestiva pelo Ministério da Saúde em coletiva de imprensa". O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez uma coletiva ontem para recomendar a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades.

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, afirmou que foram registrados cerca de 1.500 episódios dentre esses 3,5 milhões de adolescentes vacinados. Desses, a maioria é leve, mas Medeiros citou a morte dessa jovem paulista como motivo de alerta.

Apesar da nova posição do ministério, ao menos 16 capitais e o Distrito Federal seguem vacinando pessoas de 12 a 17 anos sem comorbidades. A Anvisa aprovou o uso da Pfizer para essa faixa etária e reforçou ontem a segurança do imunizante.

70 profissionais avaliaram a morte

O caso da adolescente foi avaliado por 70 profissionais reunidos pela Coordenadoria de Controle de Doenças e do Centro de Vigilância Epidemiológica. Os especialistas eram de áreas diversas, como hematologia, cardiologia e infectologia, informou o governo estadual.

Eder Gatti, infectologista do Centro de Vigilância Epidemiológica, disse que os efeitos pós-vacina precisam ser analisados de forma cuidadosa. "Na maioria das vezes, são coincidentes, sem relação causal com a vacinação", explicou.

"Os eventos adversos graves, principalmente aqueles que evoluem ao óbito, são discutidos com uma comissão de especialistas para se ter uma decisão mais precisa sobre a relação coma a vacina", disse. Segundo o infectologista, também é grave rotular um caso como relacionado ao imunizantes antes da análise completa.

"Cresce o risco de desorientação, temor, de rejeição a uma vacina sem qualquer fundamento, prejudicando esta importante estratégia de saúde pública que é a campanha de vacinação", afirmou. A Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou que pessoas com doenças autoimune podem sim se vacinar contra a covid-19 no Brasil e, se necessário, com acompanhamento médico.

O UOL entrou em contato com o Ministério da Saúde e, até o momento, não teve resposta.

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