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Entidades publicam parecer à Anvisa favorável à vacinação infantil

O documento é divulgado em meio aos ataques que o órgão tem recebido - Side Show Stock/iStock
O documento é divulgado em meio aos ataques que o órgão tem recebido Imagem: Side Show Stock/iStock

Colaboração para o UOL

21/12/2021 10h53Atualizada em 21/12/2021 12h42

As sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Infectologia (SBI) decidiram tornar público o parecer enviado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em que defendem a vacinação contra a covid-19 das crianças de 5 a 11 anos. A divulgação do documento acontece após o órgão e seus servidores serem atacados, inclusive pelo próprio governo federal, por ter liberado a imunização infantil.

"A SBIm, a SBP e a SBI manifestam-se favoráveis à autorização, por entenderem que os benefícios da vacinação na população de crianças de 5 a 11 anos, com a vacina Comirnaty [Pfizer], no contexto atual da pandemia, superam os eventuais riscos associados à vacinação", escreveram.

No parecer, as entidades ressaltam que, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Saúde, o impacto da covid-19 na população infantil brasileira é relevante, com milhares de hospitalizações e centenas de morte pela doença. As sociedades representativas argumentam que estudos até a fase 3 em crianças mostram que a resposta de anticorpos é similar à registrada em adolescentes e adultos.

As entidades médicas ainda destacam que não foram observados nesses estudos eventos adversos graves associados à vacinação e ressaltam que, nos Estados Unidos, mais de cinco milhões de doses da Pfizer já foram aplicadas nesse grupo de crianças, sem eventos de preocupação.

PF investiga ameaça

A Polícia Federal (PF) concluiu que o paranaense Douglas Bozza cometeu crime de ameaça ao enviar e-mail a cinco diretores da Anvisa em que afirmava que iria matar quem "atentasse contra vida de seu filho" por causa da obrigação da vacinação contra a covid-19. De acordo com a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o inquérito foi aberto em outubro e concluído no mês passado.

O e-mail foi enviado em outubro, quando a Anvisa começava a debater a vacinação a partir dos 5 anos. Na última semana, após aprovar o uso da Pfizer em crianças, a agência voltou a ser alvo de ataques.

Uma nova investigação foi aberta ontem (20) após nova solicitação de integrantes da agência.

Bolsonaro ataca Anvisa

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a Anvisa, no domingo (19), pela decisão de autorizar o início da vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19. Ele questionou supostos efeitos adversos — sem, no entanto, apresentar dados — e repetiu ser a favor da "liberdade" de não se vacinar, ainda que isso represente um risco para outras pessoas.

"Nem a tua [vacina] é obrigatória. É liberdade", disse Bolsonaro durante conversa com apoiadores, em Praia Grande (SP). "Criança é uma coisa muito séria. Não se sabe os possíveis efeitos adversos futuros. É inacreditável, desculpa aqui, o que a Anvisa fez. Inacreditável."

Na quinta-feira (16), dia em que a Anvisa liberou a vacinação de crianças contra a covid-19, Bolsonaro já havia dito que pediu os nomes dos técnicos da agência responsáveis pela aprovação. Ele também afirmou que ainda discutiria com a primeira-dama Michelle se vai ou não imunizar a filha Laura, de 11 anos.

"Eu pedi extraoficialmente o nome das pessoas que aprovaram a vacina para 5 a 11 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas", contou. "A responsabilidade é de cada um. Mas agora mexe com as crianças, então quem é responsável por olhar as crianças é você, pai. Eu tenho uma filha de 11 anos de idade e vou estudar com a minha esposa bastante isso aqui."

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