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3 meses

CoronaVac: SP libera vacinação de crianças sem comorbidade; veja calendário

Ana Paula Bimbati, Leonardo Martins, Pedro Vilas Boas e Sara Baptista

Do UOL, em São Paulo

20/01/2022 13h16Atualizada em 20/01/2022 18h23

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou hoje (20) que, com a liberação do uso da vacina contra a covid-19 CoronaVac em crianças e adolescentes, a imunização desse público começará "imediatamente" no estado. O plano do governador é vacinar todas as crianças com a primeira dose em, no máximo, três semanas.

Até agora, apenas crianças de 11 anos, com comorbidades, indígenas e quilombolas estavam sendo vacinadas. Com a liberação da CoronaVac pela Anvisa, o estado de São Paulo começa a imunizar crianças com idade entre 9 e 11 anos sem comorbidades e de 6 a 11 anos com comorbidades, deficiências, além de quilombolas e indígenas.

O Instituto Butantan —que produz o imunizante— informou que 4 milhões de doses já ficam no estado, ainda que o Ministério da Saúde não tenha decidido comprar o estoque.

A distribuição deste primeiro lote começa hoje. De acordo com o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, todos os 645 municípios paulistas devem receber as doses até amanhã (21).

O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que:

  • Mais 4 milhões de doses devem ser liberadas também para São Paulo na semana que vem.
  • Sete milhões ficam à disposição do Ministério da Saúde, que ainda não confirmou a intenção de comprar a CoronaVac para vacinar crianças e adolescentes.

"São Paulo começou hoje [20] imediatamente a vacinação e está preparado para vacinar 250 mil crianças a partir de amanhã [21] no sistema público de saúde", disse Doria, em entrevista na Escola Estadual Brigadeiro Faria Lima, em Perdizes, na zona oeste da capital.

Caetano de Jesus Martins Moreira, 9, foi a primeira criança a ser vacinada hoje, e disse que não teve medo. "É só uma picada", afirmou.

Sua avó comemorou a aplicação da primeira dose. "Estou muito emocionada de ver ele (sic) se vacinar. Viva a vida", comentou Magnólia.

Ao todo, cem crianças foram vacinadas na escola. Depois de Caetano, o governo promoveu a vacinação dos alunos Camila Pastore, Yuri Paixão, Ana Beatriz Garcia Leite, Yasmin Paixão, Iotan Youssef e Luiza Murilo.

"Não precisamos de autorização do Ministério da Saúde para começar a vacinar, especialmente desse ministério. Aqui não há processo de protelação, que duvida de vacinas, duvida que temos uma pandemia. Aqui acreditamos na ciência, vacina e vida", completou o governador, que se autointitula "pai da vacina" e deve disputar a Presidência da República com o presidente Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de outubro.

São os municípios que determinam o calendário exato da vacinação, de acordo com a chegada dos lotes de CoronaVac, mas o governo estadual já apresentou um plano para a imunização de crianças.

Veja o calendário da vacinação divulgado pelo estado

  • 20 a 30 de janeiro: crianças com comorbidades, indígenas, quilombolas de 6 a 11 anos, e crianças de 9 a 11 anos (público-geral)
  • 31 de janeiro a 10 de fevereiro: crianças de 6 a 8 anos e com comorbidades

O intervalo entre a primeira e a segunda doses para quem tomar a CoronaVac é de 28 dias. No caso da vacina pediátrica da Pfizer, é de oito semanas.

O estado conta com 5.200 pontos de vacinação e mais 300 escolas públicas para aplicar o imunizante em crianças.

Vacinação na capital

Ao UOL, o secretário-executivo da pasta estadual da Saúde, Eduardo Ribeiro, disse que 801.500 doses de CoronaVac serão enviadas à cidade de São Paulo neste primeiro momento.

O secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse que iniciará a vacinação com a CoronaVac na capital paulista assim que a prefeitura receber as doses do governo estadual.

"A previsão é de que elas cheguem na capital até amanhã, ao meio-dia", afirmou Edson Aparecido. Se o prazo for confirmado, a vacinação já pode começar no sábado, segundo Aparecido.

Aprovação do colegiado da Anvisa saiu hoje

Até agora, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso da vacina da Pfizer em crianças a partir de 5 anos e da CoronaVac, a partir de 6 anos.

Inicialmente, o Instituto Butantan, que produz a CoronaVac no Brasil, havia solicitado a liberação do uso da vacina em crianças a partir de 3 anos, mas a maioria do colegiado da Anvisa aprovou o uso em crianças a partir de 6 anos de idade.

A vacinação de todos os adolescentes —com mais de 12 anos— já acontece desde agosto do ano passado, mas a de crianças —a partir de 11 anos— só começou em janeiro, um mês após a aprovação da vacina da Pfizer para este público.

Não há doses suficientes da vacina pediátrica da Pfizer para toda a população infantil, portanto a imunização nos estados está seguindo uma ordem de prioridade —com crianças com comorbidades, indígenas e quilombolas recebendo as primeiras doses do imunizante.

Nesta semana, Doria já havia avisado que assim que a Anvisa liberasse o uso da CoronaVac em crianças ele daria início à vacinação. Assim que saiu a decisão, no início da tarde, o tucano publicou posts de comemoração em suas redes sociais e anunciou uma coletiva de imprensa para acompanhar a aplicação da primeira dose em crianças da escola estadual Brigadeiro Faria Lima, na capital paulista.

    5 milhões de doses em estoque

    Antes da coletiva, em nota, o Butantan celebrou a aprovação e disse que está preparado para "fazer parte de mais esta batalha para derrotar o vírus da covid-19 no país". "[A CoronaVac é] a vacina mais utilizada em todo o mundo, com mais de 211 milhões de doses administradas no público infantil e juvenil (de 3 a 17 anos) somente na China", destacou o instituto.

    Em dezembro do ano passado, o Instituto Butantan informou que tinha 15 milhões de doses de CoronaVac com validade até agosto paradas na sua fábrica de produção. Como o Ministério da Saúde havia decidido não usar o imunizante na campanha de vacinação de 2022, o instituto avaliava se doaria o estoque para outros países.

    Agora, com a nova autorização, as vacinas podem ser usadas nas crianças. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou, nas redes sociais, que aguarda a publicação da aprovação da vacina no Diário Oficial —e não confirmou a compra das doses de CoronaVac.

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