PUBLICIDADE
Topo

Saúde

Conteúdo publicado há
15 dias

Brasil registra primeiros casos de varíola dos macacos em crianças, em SP

Varíola dos macacos - iStock
Varíola dos macacos Imagem: iStock

Do UOL, em São Paulo*

28/07/2022 20h36Atualizada em 29/07/2022 10h45

O Brasil confirmou hoje os primeiros casos de varíola dos macacos, também chamada de monkeypox, em crianças. Os casos foram diagnosticados em três crianças, todos eles na cidade de São Paulo.

A SMS (Secretaria Municipal de Saúde) informou ao UOL que as crianças estão "em monitoramento, sem sinais de agravamento" da doença. A pasta municipal não disse como as crianças foram contaminadas pela doença.

"Desde os primeiros alertas da OMS [Organização Mundial da Saúde] para a doença, a SMS instituiu protocolos para toda a rede pública e privada para o atendimento dos casos suspeitos. O órgão está com toda a operação de atendimento, diagnóstico e monitoramento em pleno funcionamento", diz a nota da secretaria municipal.

O atendimento para casos suspeitos da doença é feita na capital paulista por meio da rede municipal de saúde, como nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), prontos-socorros e pronto atendimentos. "A rede foi capacitada e conta com insumos para coleta de amostras das lesões cutâneas (secreção ou partes da ferida seca) para análise laboratorial", concluiu a pasta.

O UOL tenta contato com o Ministério da Saúde. A nota será atualizada em caso de retorno.

Primeiros casos de infecção em crianças no mundo

No mundo já foram registrados três casos da varíola dos macacos em crianças: dois nos Estados Unidos e um na Holanda.

No caso dos EUA, a informação foi dada pela diretora do CDC (Centro para Controle e Prevenção de Doenças), Rochelle Walensky, em entrevista ao jornal Washington Post, na sexta-feira (22). Uma das duas crianças infectadas nos EUA ainda é uma criança de colo. Os dois casos não estão relacionados.

Casos no Brasil e no mundo

Até ontem, o Brasil havia chegado a 978 casos de varíola dos macacos, de acordo com balanço do Ministério da Saúde. A maioria das infecções foi registrada em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A pasta também informou, em nota ao UOL, que monitora os casos e acompanha os contatos dos pacientes por meio de articulação direta com os estados.

Confira os números por estado:

  • São Paulo: 744
  • Rio de Janeiro: 117
  • Minas Gerais: 44
  • Paraná: 19
  • Distrito Federal: 15
  • Goiás: 13
  • Bahia: 5
  • Ceará: 4
  • Santa Catarina: 4
  • Rio Grande do Sul: 3
  • Pernambuco: 3
  • Rio Grande do Norte: 2
  • Espírito Santo: 2
  • Tocantins: 1
  • Mato Grosso: 1
  • Acre: 1

Segundo a OMS já foram reportados mais de 18 mil casos da doença em 78 países. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, explicou que mais de 70% dos casos foram registrados na Europa e 25% nas Américas.

Do total de pacientes, 10% tiveram que ser internados para tratar a doença. Além disso, até o momento, houve cinco mortes informadas. A entidade afirma que o surto pode ser interrompido com informação e medidas para barrar a transmissão.

No sábado (23), a OMS decretou emergência sanitária global para a varíola dos macacos, termo usado quando há "um evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública de outros Estados através da disseminação internacional da doença."

A entidade recomenda a vacinação das pessoas que tiveram contato com infectados. Uma vacina já foi aprovada no Canadá, Estados Unidos e União Europeia, e outras duas são consideradas, informou a OMS.

Doença

A varíola dos macacos é causada por um vírus e transmitida pelo contato próximo com uma pessoa infectada e com lesões de pele. O contato pode se dar por meio de abraço, beijo, relações sexuais ou secreções respiratórias. A transmissão também ocorre por contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo infectado.

Não há tratamento específico, mas, de forma geral, os quadros clínicos são leves e requerem cuidado e observação das lesões. O maior risco de agravamento acontece, em geral, para pessoas imunossuprimidas com HIV/AIDS, leucemia, linfoma, metástase, transplantados, pessoas com doenças autoimunes, gestantes, lactantes e crianças com menos de 8 anos de idade.

O paciente pode ter febre, dor no corpo e apresentar manchas, pápulas [pequenas lesões sólidas que aparecem na pele] que evoluem para vesículas [bolha contendo líquido no interior] até formar pústulas [bolinhas com pus] e crostas [formação a partir de líquido seroso, pus ou sangue seco].

*Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo

Saúde