Aumento da violência sexual infantil preocupa médico congolês

Oslo, 25 Mai 2016 (AFP) - O renomado cirurgião congolês Denis Mukwege, de 61, manifestou grande preocupação, nesta quarta-feira, com o aumento no número de casos de violência sexual infantil, principalmente de bebês, na República Democrática do Congo (RDC).

Agora, os casos não se restringem às zonas de conflito.

"No hospital, cuidamos cada vez mais de crianças, inclusive bebês", declarou à AFP "o homem que conserta mulheres" - (título homônimo de um documentário que o tornou conhecido) - no Hospital de Panzi, fundado por ele em 1999 na província do Kivu do Sul (leste).

"Eu mesmo tenho mais de 30 anos nas costas como obstetra, ginecologista, cirurgião... Mas, ver bebês de 12 meses, inclusive de seis meses, com períneos completamente destruídos, é um fenômeno novo e muito preocupante", alarmou-se Mukwege, falando no Oslo Freedom Forum, que todo ano reúne militantes pela paz na capital norueguesa.

Desde sua criação, o Hospital de Panzi acolheu cerca de 45.000 mulheres e meninas vítimas de estupro e de outros tipos abomináveis de violência. Esses atos são cometidos em larga escala no país, há pelo menos 15 anos, começando na segunda guerra do Congo (1998-2003) e tendo continuidade em diferentes conflitos armados.

"É apenas a ponta do iceberg", segundo o médico.

"Esse aqui é apenas um hospital. E essas são mulheres que não esconderam, mas quantas escondem, quantas morrem no anonimato total? Quantas têm medo de serem estigmatizadas e não falam?", questionou.

"O que nos preocupa é o aumento no número de crianças [como vítimas]. E aí, isso significa, basicamente, que o mal está se espalhando na sociedade. Não é mais apenas nas zonas de conflito, mas fora das zonas de conflito", advertiu.

Na segunda-feira, a ONU disse estar alarmada com o aumento das "chacinas" na região de Beni (Kivu do Norte, província vizinha de Kivu do Sul), onde os capacetes azuis apoiam uma ofensiva do Exército congolês pela paz. Desde outubro de 2014, a cidade e o território de Beni sofrem com uma série de massacres que já deixou mais de 600 mortos.

Reconhecido com o Prêmio Sakharov dos Direitos Humanos, do Parlamento europeu, com o Prêmio Nobel alternativo e com o Prêmio da ONU pelos Direitos Humanos, Denis Mukwege também foi, várias vezes, sugerido para disputar o Prêmio Nobel da Paz.

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