Erdogan preside a primeira reunião do governo turco

Ancara, 25 Mai 2016 (AFP) - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, conduziu nesta quarta-feira a primeira reunião de gabinete do novo governo, uma iniciativa que ilustra a sua vontade de controlar totalmente o Executivo, enquanto a oposição adverte contra o caos em caso de presidencialização que ele tanto almeja.

Em um gesto altamente simbólico, o governo de Binali Yildirim, revelado na terça-feira e de grande continuidade em relação à equipe de Ahmet Davutoglu, reuniu-se no enorme palácio presidencial situado nos subúrbios de Ancara sob o olhar atento de Erdogan.

Desde a sua chegada, o novo primeiro-ministro se comprometeu a fazer "tudo o necessário" para introduzir rapidamente um sistema presidencial semelhante aos modelos americano e francês.

Na terça-feira no Parlamento, Yildirim anunciou que não iria deixar passar a "oportunidade histórica" de mudar a Constituição vigente atualmente e que data do golpe militar de 1980.

"Temos que mudar a Constituição para que corresponda à realidade. Esta é a tarefa mais importante do AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento, no poder)", argumentou.

Depois da reunião de cinco horas, o porta-voz do governo, Numan Kurtulmus, defendeu que uma revisão da Constituição era "uma obrigação", instando a oposição a "levar para a mesa as suas propostas".

"Estamos abertos a qualquer tipo de diálogo, mas nossa opinião é clara: temos de mudar a Constituição", disse Kurtulmus, que também é vice-primeiro-ministro.

Erdogan, que foi primeiro-ministro por muitos anos antes de se tornar presidente em 2014, trabalha para ampliar as prerrogativas presidenciais, atualmente em grande parte protocolares.

Mas a oposição e a maioria dos eleitores, segundo pesquisas, se opõem ao projeto, fonte de tensão no país e no exterior, que acusam Erdogan de "deriva autoritária".

O líder do principal partido da oposição no parlamento denunciou nesta quarta-feira as ambições "totalitárias" de Erdogan e afirmou que qualquer tentativa do líder turco de obter um sistema presidencialista iria encontrar forte contestação e resistência nas ruas.

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