Hollande e Merkel comemoram o centenário da Batalha de Verdun

Paris, 27 Mai 2016 (AFP) - O presidente francês, François Hollande, e a chanceler, Angela Merkel, comemoram domingo em Verdun, leste da França, o centenário de uma das mais sangrentas batalhas da Primeira Guerra Mundial, em um momento em que o eixo franco-alemão não consegue unir a uma Europa em crise.

"O que desejamos não é uma reconciliação, que já está feita", explicou o presidente francês. "Queremos dizer juntos o que desejamos fazer, neste atual momento, pela Europa", um continente que "está doente do mal do populismo", afirmou.

Hollande e Merkel abrirão as comemorações no cemitério alemão de Consenvoye.

A imagem em destaque no domingo será a entrada do presidente e da chanceler, acompanhados cada um por uma criança, na imensa nave do Ossário de Douaumont, onde estão enterrados os corpos de 130.000 soldados franceses e alemães.

Há mais de 30 anos, diante desse mesmo ossário, em dezembro de 1984, o chanceler alemão Helmut Kohl e o chefe de Estado francês François Mitterrand, já haviam declarado de forma altamente simbólica a amizade franco-alemã.

No próximo domingo os sinos dobrarão em um raio de quilômetros do local em memória à batalha que entre fevereiro e dezembro de 1916 causou mais de 300.000 vítimas nos dois campos, e cuja recordação segue muito viva na memória coletiva dos franceses.

A Batalha de Verdun foi finalmente vencida pelo exército francês sob o comando de Philippe Pétain, futuro marechal da França e que seria durante a Segunda Guerra Mundial o artífice da colaboração com os nazistas.

Europa no centroApós a cerimônia, Merkel e Hollande farão, cada um, um discurso de dez minutos, centrados no momento atual europeu, segundo a Presidência francesa.

Em um almoço de trabalho, os dois dirigentes falarão sobre os grandes temas europeus, em particular da crise migratória, que divide Paris e Berlim, o Brexit, a um mês do referendo de 23 de junho sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia.

Para destacar a dimensão europeia desta comemoração, os presidentes da Comissão e do Parlamento europeus, Jean-Claude Juncker e Martin Schulz, estarão presentes na inauguração do reformado monumento comemorativo de Verdun.

Não é a primeira vez que Hollande e Merkel comemoram juntos a Primeira Guerra Mundial. Em 8 de julho de 2012, o presidente francês, eleito dois meses antes, recebeu a chanceler em Reims (noroeste do país) para celebrar a reconciliação franco-alemã. Esta havia sido selada 50 anos antes pelo general de Gaulle e o chanceler Konrad Adenauer, nesta outra cidade mártir da guerra de 1914-1918.

A orquestra israelense-palestina dirigida por Daniel Barenboim, e símbolo de outra reconciliação, deveria estar presente na cerimônia. Porém, ele não poderá comparecer oficialmente, devido "às limitações do local" segundo os organizadores. Ela foi substituída por uma "orquestra adaptável" da Guarda Republicana francesa.

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