Um balanço amargo da situação dos migrantes no Mediterrâneo

Roma, 30 Mai 2016 (AFP) - Mais de 13.000 pessoas foram resgatadas no mar Mediterrâneo na última semana, um balanço amargo já que dezenas morreram e centenas estão desaparecidas.

Estatísticas se mantém

As chegadas se concentram em um prazo determinado de tempo. O número se mantém agora no mesmo nível que no ano passado: 46.700 desde o início do ano, contra 47.400 em 2015, durante o mesmo período, segundo valores do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur). O Ministério do Interior italiano também assegurou que, ainda que a situação estivesse tensa nessa semana, os centros de acolhimento não estão transbordando. Da mesma forma, se o total de mortos e desaparecidos na área agora excede os 1.700, a Organização Mundial para as Migrações (OIM) registrou 1.782 no mesmo período do ano passado.

O Mediterrâneo central

A rota marítima saindo da Líbia se tornou a principal porta de entrada à Europa desde o fechamento da rota dos Bálcãs, mas somente porque se esgotaram os fluxos enormes de pessoas que chegavam da Turquia às ilhas gregas. O fluxo proveniente da Líbia se manteve mais ou menos constante desde o ano passado e é completamente independente do que atravessa os Bálcãs. A maioria dos imigrantes que chegam à Itália é proveniente da África subsaariana.

Quantos saem da Líbia?

Um relatório recente da Interpol e da Europol calcula que cerca de 800.000 migrantes esperam sair da costa da Líbia até o velho continente. Trata-se de estimativas delicadas. Muitos migrantes da África Ocidental decidem imigrar depois te ter trabalhado durante anos na Líbia. Outros, em particular aqueles da Eritreia, Somália e Sudão, atravessam o deserto em meio a condições cruéis com o desejo de sair e passar o menor tempo possível no caos da Líbia.

Como é a viagem desde a Líbia?

A maioria dos migrantes empreendem a travessia a bordo de botes sobrecarregados, com combustível suficiente para chegar às águas territoriais e pedir ajuda em uma zona onde, diferente do ano passado, os esperam navios da Marinha de guerra e da Guarda Costeira italiana ou barcos humanitários. Todos eles fazem parte de várias operações navais da União Europeia: contra o contrabando, "Sophia", e para o controle das fronteiras europeias, "Tritão", que coordena a Frontex.

Muitos partem à noite, sob ameaça, golpes e disparos dos contrabandistas, já que vários querem desistir quando descobrem o péssimo estado das embarcações onde deverão realizar a travessia. Embora geralmente sejam resgatados após um dia de navegação, a condição física de alguns é péssima, pois desidratam, muitas vezes estão com hipotermia, ou asfixiam com a fumaça do motor.

E os que partem do Egito?

Há alguns meses, tem aumentado o número de barcos de pesca que saem do Egito com centenas de pessoas a bordo. Segundo o Acnur, esse valor representa aproximadamente 10% das chegadas. A viagem a bordo dessas embarcações dura uma semana. Os traficantes de pessoas programam diversas transferências no mar, muito perigosas, para barcos em pior estado, a fim de proteger os próprios barcos, conscientes de que toda embarcação resgatada se perde para sempre.

Por que os socorristas estão preocupados?

Os traficantes líbios começaram a enviar migrantes à Itália em barcos de pesca sobrecarregados com a ideia de que iriam ser resgatados assim que chegassem às águas internacionais. Incapazes de navegar em alto mar, três dessas embarcações viraram esta semana, diante dos olhos impotentes dos marinheiros que foram resgatá-los. Um deles navegava sem motor, era arrastado por outro barco sobrecarregado com migrantes. Segundo meios de comunicação italianos, eram barcos comprados na Tunísia.

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