Stade de France faz simulação de atentados a dez dias da Euro

Em Saint-Denis (França)

  • Kenzo Tribouillard/AFP

    Integrantes da unidade especial de intervenção da polícia francesa (Raid) participam da simulação de atentando terrorista no Stade de France, em Saint-Denis

    Integrantes da unidade especial de intervenção da polícia francesa (Raid) participam da simulação de atentando terrorista no Stade de France, em Saint-Denis

A bola está rolando no Stade de France quando a primeira explosão é deflagrada: na manhã desta terça-feira (31), cerca de 500 pessoas participaram de uma simulação de atentados para ajudar os organizadores e as autoridades a se preparar para o pior, a dez dias da Eurocopa.

Às 9h40 no horário local (4h40 de Brasília), os alto-falantes anunciam a contagem regressiva: 5, 4, 3, 2, 1... explode uma bomba falsa. Gritos são ouvidos, seguidos por sirenes de ambulâncias.

A primeira fase do exercício de gerenciamento de crise, organizado no palco do jogo de abertura e da final do torneio, acaba de começar, com cerca de 250 figurantes e 200 profissionais sendo treinados, entre policiais, bombeiros e socorristas.

O roteiro da simulação é revelado apenas parcialmente, para que o teste seja efetuado em condições mais próximas da realidade, com necessidade de reagir a situações imprevistas.

"O objetivo é coordenar as equipes da melhor forma possível para que dê tudo certo no dia D", explica o porta-voz dos bombeiros de Paris, Gabriel Plus.

O assunto é dos mais sensíveis. No total, sete partidas da competição serão disputadas no Stade de France, que foi um dos alvos dos atentados de novembro de 2015 à capital francesa. Três explosões nos arredores do recinto causaram uma morte e deixaram dezenas de feridos, durante o amistoso entre França e Alemanha.

'Alvo potencial'

No dia 21 de maio, várias confusões mancharam a final da Copa da França, disputada no mesmo estádio, com multidões aglomeradas nos portões (apenas quatro foram abertos, ao invés dos 24 habituais), entrada de sinalizadores nas arquibancadas, apesar das revistas, e uso de gás de lacrimogêneo pela polícia na saída.

A partida era o clássico de maior rivalidade no país, entre Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha, e "falhas foram constatadas", admitiu o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

Pouco depois de a simulação ser concluída, os Estados Unidos lembraram que a Eurocopa representa um "alvo potencial de atentados terroristas", em nota oficial do Departamento de Estado que alerta os cidadãos americanos sobre os riscos de viajar em toda a Europa.

O governo francês também considera o torneio "um alvo potencial particularmente atrativo para organizações terroristas ou pessoas radicalizadas".

Por isso, simulações como a desta terça-feira já foram realizadas em outros estádios que vão receber partidas. No total, são dez cidades-sede.

"Temos que imaginar que são entre 22h e 23h, no meio de uma partida, e que o estádio está cheio", explica a porta-voz da polícia de Paris, Johanna Primevert.

A primeira explosão falsa é deflagrada atrás das arquibancadas. A segunda ocorre debaixo de uma ponte, no caminho entre o metrô e o estádio, no momento da evacuação dos figurantes que desempenham o papel dos torcedores.

Para terminar o roteiro de terror, um tiroteio ocorreu na 'Fan Zone' de Saint-Denis, a poucos quilômetros do estádio. Com capacidade para 10 mil pessoas, o local acolherá torcedores sem ingresso que se reúnem para assistir aos jogos em telões e a apresentações culturais, como aconteceu no Brasil com os 'Fan Fests' durante a Copa do Mundo de 2014.

Balanço virtual dos atentados: 20 mortos e sessenta feridos. A imprensa só foi autorizada a assistir à simulação da segunda explosão, a da ponte.

Selfies e gargalhadas

Às 10h30, um pequeno robô desativador de bombas é acionado. Seis policiais de elite chegam, com lanternas acesas e armas apontadas, mas são chamados de volta, por terem entrado na hora errada.

Às 10h40, os figurantes, por sua maioria estudantes de enfermagem, chegam com tranquilidade, sem sentir necessidade de fingir que estão em pânico. Muitos gargalham, ajeitam o cabelo diante das câmeras de TV ou aproveitam para registrar o momento com 'selfies'.

"Podem filmar, é minha hora de glória", brinca um estudante. O sorriso desaparece do seu rosto na hora do estrondo, ensurdecedor. Alguns se deixam cair, outros saem correndo, esquecendo-se por um momento de que precisam fingir que estão mortos ou feridos.

Um crachá indica as lesões, para que os socorristas possam fazer a triagem no local entre emergências "absolutas" ou "relativas".

"O exercício serve para antecipar os recursos necessários", explica o comandante Gabriel Plus.

Quando todos os 'feridos' estão posicionados nos devidos lugares, os policiais de elite entram em cena, agora sim, na hora certa, para garantir a segurança da zona.

Às 11h06, os maqueiros pedem passagem. A evacuação pode começar.

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