Relembrando a história: o que foi o genocídio armênio?

Em Berlim (Alemanha)

  • Bryan Denton / The New York Times

    16.abr.2015 - Ossos de vítimas do genocídio armênio expostos em memorial no Líbano

    16.abr.2015 - Ossos de vítimas do genocídio armênio expostos em memorial no Líbano

Os massacres e deportações de armênios entre 1915 e 1917 no Império Otomano deixaram 1,5 milhão de mortos, segundo os armênios, e entre 300 mil e 500 mil, de acordo com a Turquia, que se nega a classificá-los de genocídio.

A Câmara Baixa do Parlamento alemão (Bundestag) votou nesta quinta-feira (2) uma resolução que reconhece o genocídio armênio, foco de tensão com Ancara.

Os armênios estimam que as tropas do Império Otomano mataram 1,5 milhão de integrantes de sua comunidade durante a Primeira Guerra Mundial.

Ancara se opõe ao termo genocídio e afirma que uma guerra civil em Anatólia, acompanhada da fome, foi a responsável pela morte de entre 300 mil e 500 mil armênios e de outros tantos turcos.

Os confrontos com os turcos começaram no fim do século 19. Entre 100 mil e 300 mil armênios foram vítimas de massacres em 1895-1896, segundo fontes armênias.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano era aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro. Quando começou a sofrer muitas baixas nos combates nas províncias armênias, jogou a culpa nos armênios.

Em 24 de abril de 1915, milhares de armênios foram detidos suspeitos de serem hostis ao governo central. Em 26 de maio, uma lei especial autorizou as deportações "por motivos de segurança interior", e em 13 de setembro, outra ordenou o confisco de seus bens.

A população armênia de Anatólia e Cilicia (região que passou a formar parte da Turquia em 1921), considerada um "inimigo interior", foi enviada no exílio aos desertos da Mesopotâmia turca. Muitos foram abatidos quando viajavam ou em seus acampamentos.

Morreram queimados vivos, afogados, envenenados ou por tifo, segundo revelações de diplomatas estrangeiros e de agentes de inteligência de então.

Em 30 de outubro de 1918, o Império Otomano se rendeu às forças da Tríplice Entente (Reino Unido, Rússia e França). Foi desmantelado em 1920.

A Turquia reconhece que ocorreram massacres e que muitos armênios morreram quando eram deportados. Mas afirma que foi uma repressão contra uma população culpada de colaborar com o inimigo russo durante a Primeira Guerra Mundial e que dezenas de milhares de turcos morreram pelas mãos dos armênios.

Atualmente, 20 países reconhecem o genocídio armênio.

O Uruguai foi o primeiro país do mundo a reconhecê-lo, em 1965. Foi seguido, entre outros, pelos Parlamentos de Rússia (1994), Holanda (1994), Grécia (1996), França (2001), Itália (2001), Suíça (2003), Canadá (2004), Argentina (2005), Suécia (2010) e Bolívia (2014).

O Parlamento Europeu o reconheceu em 1987.

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