Brexit: um dia de cão para votar

Londres, 23 Jun 2016 (AFP) - É um dia histórico para toda Europa, mas o clima foi miseravelmente inglês: nesta quinta-feira, dia do referendo sobre a permanência ou não na UE, os londrinos tiveram que enfrentar chuvas torrenciais para poder votar.

As precipitações na capital britânica e no sudeste da Inglaterra e o caos que os transportes públicos causaram deixavam qualquer um irritado com a festa da democracia.

Se, meteorologicamente falando, Londres é como as Bahamas se comparada com a Escócia, nesta quinta, a capital britânica parecia Glasgow, assim como todo o sudeste da Inglaterra, e, milagrosamente, Glasgow parecia Barcelona.

A agência meteorológica enviou um alerta amarelo por chuvas e inundações que podem ocorrer durante o dia inteiro. Oito das 15 linhas de metrô contavam com atrasos ou estavam suspensas no horário do rush da manhã, além de alguns centros eleitorais estarem inundados.

O líder pró-Brexit, Nigel Farage, esfregava as mãos. "Tudo depende da participação e de que esses molengas pró-UE fiquem em casa", afirmou em declarações à agência Press Association.

Farage tinha em mente todas as análises que coincidem com o segmento mais preguiçoso ou ocupado demais para votar, os jovens, e mais propensos à UE, enquanto os anciãos, com todo o tempo do mundo para esperar que o tempo melhore, desejam romper com Bruxelas.

Idosos defendem Brexit"É algo bíblico", dizia no Twitter Helen Joanna Youngs, junto com uma foto de uma grande poça na entrada do local de votação.

Leonard Moore, veterano da Segunda Guerra Mundial, pediu à sua família antes de morrer que enviasse seu voto "leave" (deixar) pelo correio, uma notícia muito comentada pelos meios de comunicação pró-Brexit.

Lesley Syer, uma aposentada de 74 anos, se queixava amargamente dos imigrantes - cerca de 3 milhões da UE - antes de votar em Biggin Hill, nos arredores de Londres. "Não sou racista, mas esta ilha é pequena e ninguém nunca diz: 'Onde vamos meter toda essa gente?'", declarou à AFP.

"Chegam como querem. Vejo-os nos jornais todos os dias, chegam em caminhões", concordava Barry Martin, outro aposentado de 69 anos.

Que isso acabe de uma vezApesar disso, os eleitores estavam decididos a interpretar seu papel nesta história e dar por resolvido um assunto que incomodou metade do país.

Como o 'drag queen' Ben Gidden, de 27 anos, que aguardava na fila em um colégio eleitoral no norte de Londres. "Ficarei muito contente quando tudo isto acabar... sempre e quando acabar como eu gostaria", disse à AFP. "É um circo para ambos lados. É absolutamente incrível quão estranha a política se tornou", acrescentou.

A sempre comedida política britânica se desencaixou neste assunto, alcançando uma aspereza jamais vista, com os candidatos chamando-se de mentirosos, comparando os rivais com Hitler e, o nunca antes visto desde os tempos do Exército Republicano Irlandês (IRA), o assassinato de um político, a deputada trabalhista Jo Cox.

Sem contar a questão da imigração. "Sou negro, meus pais chegaram como imigrantes ao Reino Unido nos anos 1950. Nasci neste país. Agora dizem que os imigrantes que vêm para cá ficam com os trabalhos, que é exatamente o que diziam nos anos 1950", disse outro eleitor, Paul Robinson, de 55 anos, que trabalha na indústria do cinema.

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