Sanders oficializa seu apoio a Hillary nas eleições americanas

Portsmouth, Estados Unidos, 12 Jul 2016 (AFP) - A duas semanas da Convenção Nacional Democrata, o senador Bernie Sanders deu seu apoio nesta terça-feira à candidata presidencial de seu partido, Hillary Clinton, garantindo que fará todo o possível para que ela chegue à Casa Branca.

"Hillary venceu a primária democrata e a felicito por isso", declarou Sanders em um comício em Portsmouth, New Hampshire (nordeste), com a ex-primeira-dama a seu lado.

"Ela será a candidata presidencial democrata, e pretendo fazer tudo o que puder para garantir que ela seja a próxima presidente dos Estados Unidos", acrescentou o septuagenário senador autoproclamado um democrata socialista.

O apoio explícito de Sanders a Hillary encerra o longo e disputado processo das prévias democratas.

"Ela deve ser nossa próxima presidente", insistiu Sanders, listando uma série de razões pelas quais a ex-secretária de Estado é uma opção melhor do que seu rival republicano, Donald Trump, na eleição presidencial de novembro.

"Estou aqui hoje para explicar o mais claramente possível o porquê do meu apoio a Hillary", acrescentou, citando o apoio da candidata aos direitos dos homossexuais, ao seguro universal de saúde e à luta contra as mudanças climáticas.

"Se alguém aí acha que essa eleição não é importante, parem um pouco e pensem nos juízes da Suprema Corte que Donald Trump vai indicar, e o que isso significa para as liberdades civis, igualdade de direitos e para o futuro do nosso país", alertou Sanders.

Sem muita empolgação e até aparentando desconforto em alguns momentos, Hillary agradeceu a Sanders por seu apoio.

"Tenho orgulho de estar lutando com você", declarou.

"Somos mais fortes juntos", acrescentou.

Mais de 12 milhões de americanos votaram em Sanders nas prévias democratas, contra 15,8 milhões para Hillary.

"Ela será uma presidente extraordinária, e estou estou feliz por anunciar que (...) houve uma importante aproximação entre as duas campanhas, e produzimos, de longe, a plataforma mais progressista da história do Partido Democrata", acrescentou.

Hillary Clinton venceu as primárias no início de junho, mas levou 35 dias para Sanders, de 74 anos, advogado que defende uma "revolução política" e que atraiu milhões de americanos, para declarar apoio a sua rival.

Ele negociou passo a passo com a equipe da ex-secretária de Estado, para garantir que o programa do partido, que deverá ser ratificado na Convenção Nacional Democrata na Filadélfia (25 a 28 de julho), seja o mais progressista possível.

Entre os temas caros ao senador, muito mais à esquerda do que Hillary e muito crítico de suas ligações com Wall Street durante a campanha, está a universidade gratuita para todos, um amplo acesso ao seguro saúde, salário mínimo de US$ 15 por hora (contra US$ 7,25 hoje), a reforma do Sistema Judiciário, um compromisso mais forte contra as mudanças climáticas e uma economia que "funcione para todos, não apenas para aqueles no topo".

Sanders parece ter atingido alguns de seus objetivos, que ele repetiu nesta terça-feira, dizendo que Hillary os compreendia.

Sua equipe de campanha comemorou o fato de o programa democrata alterado neste fim de semana em Orlando, Flórida (sudeste), agora conter um "salário federal mínimo de US$ 15 ligado à inflação". Também aplaudiu a nova proposta de Hillary em termos de melhorias no acesso à Saúde, e seu plano anunciado na semana passada para que a universidade pública seja gratuita para famílias que ganham menos de US$ 125.000 por ano.

De acordo com o campo de Sanders, que elogiou uma proposta "revolucionária", isso representa 83% dos estudantes. O programa democrata também prevê a abolição da pena de morte.

Alguns partidários frustradosMuitos partidários do senador Sanders já manifestaram sua disposição em votar em Hillary Clinton, mas outros expressaram frustração.

"Por favor, Bernie, não abandone a luta. Você tem o meu voto, por favor, não estrague tudo, o pensamento de que você apoia Clinton me dá náuseas e me deixa com tanta raiva", escreveu em sua página no Facebook a internauta Barbara Foley.

"Você apoiará o diabo", escreveu outra, Lisa Acton Lindemann, enquanto muitos expressaram um sentimento de traição.

Mas muitos foram aqueles que ressaltaram que, para evitar a eleição de Donald Trump, votariam em Hillary.

"Os verdadeiros partidários de Bernie vão confiar em seu julgamento de apoiar Clinton, os outros estão delirando, ou sempre apoiaram Trump", escreveu o eleitor independente Cia Carterson.

Por uma pequena margem, Hillary Clinton está liderando as pesquisas em relação a Donald Trump com, em média, 4,5 pontos percentuais de vantagem (45,4% contra 40,9%), de acordo com o site Real Clear Politics.

Apesar da campanha por vezes caótica desse rival republicano imprevisível, Hillary ainda não conseguiu ampliar essa diferença.

Trump reagiu ao anúncio, afirmando que Sanders "abandonou" sua base eleitoral ao unir forças com Hillary. Nesse sentido, convidou democratas e independentes pró-Sanders a votarem nele.

"A todos os eleitores de Bernie que querem parar negociações comerciais ruins e interesses globais especiais, damos as boas-vindas a vocês de braços abertos", insistiu Trump.

Hoje, o magnata é esperado em um comício em Indiana. A presença do governador Mike Pence no palco gerou rumores de que Trump possa anunciá-lo como seu companheiro de chapa.

Em entrevista ao jornal "The New York Times", Trump disse que esse anúncio deve acontecer até sexta-feira, três dias antes da Convenção Nacional Republicana, em Cleveland, de 18 a 21 de julho.

"Eu tenho cinco candidatos, mais dois, dois que são desconhecidos para todo mundo", antecipou.

Entre os possíveis candidatos a vice, estão o governador de Nova Jersey e ex-pré-candidato, Chris Christie; Pence, um veterano de guerra com passado pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Representantes; o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich, que disputou às prévias presidenciais republicanas de 2012.

Na entrevista ao "Times", Trump chamou Christie de "forte", e Pence, "sólido como uma rocha". Em relação a Gingrich desconversou: "Newt é Newt. Ele é um cara bom".

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