Uruguai cancela reunião do Mercosul

Assunção, Paraguai, 28 Jul 2016 (AFP) - A Chancelaria paraguaia recebeu uma nota oficial do Uruguai, informando sobre o cancelamento da reunião do Mercosul prevista para este sábado (30) em Montevidéu, em meio a uma crise pela transferência da presidência rotativa para a Venezuela - informou o vice-chanceler paraguaio, Rigoberto Gauto, à AFP.

O vice-chanceler confirmou que "foi cancelada" a reunião do Mercosul programada para sábado, em Montevidéu, após uma carta enviada pelo Ministério uruguaio das Relações Exteriores.

"Continuamos trabalhando, buscando opções para aproximar as diferenças de opiniões que poderiam haver", disse Gauto, em meio a uma das piores crises do bloco.

Brasília também recebeu uma nota da presidência do Uruguai anunciando que a reunião foi cancelada, revelou um funcionário brasileiro, que pediu para não ser identificado.

Brasil e Paraguai se opõem a que a Venezuela assuma o comando da agenda e os trabalhos do grupo, diante da situação política atual no país caribenho.

Brasília defende o adiamento para agosto da discussão sobre a transferência da presidência do Bloco enquanto o Paraguai insiste em que o governo de Nicolás Maduro - que busca silenciar o Parlamento venezuelano - não tem legitimidade para assumir a liderança do Mercosul.

O Uruguai tem se manifestado a favor de que a Venezuela assuma a presidência rotativa do bloco.

- Um mecanismo por tradição -A cada seis meses, a presidência do Mercosul troca de mãos e, tradicionalmente, isto ocorre durante as cúpulas presidenciais, mas não existe uma regra interna que estabeleça isto.

Também não existe uma transferência automática da presidência, como quer a Venezuela.

Há quinze dias, o governo do presidente Tabaré Vázquez convocou uma reunião do Conselho Mercado Comum (CMC), formado pelos chanceleres e ministros da Economia, para o dia 30 de julho.

A suspensão da reunião foi o terceiro fracasso consecutivo do Mercosul para solucionar a crise em um encontro com a presença de todos os sócios, após a suspensão da cúpula prevista para este mês.

Em declarações recentes, o chanceler uruguaio, Nin Novoa, definiu em poucas palavras a atual situação do Mercosul: "estamos com um verdadeiro problema, um grande problema".

A Venezuela entrou no bloco como membro pleno em 2012, em uma cúpula realizada na Argentina quando o Paraguai estava suspenso, depois do processo parlamentar que destituiu o então presidente Fernando Lugo.

O Congresso paraguaio era o único que não havia aprovado a entrada da Venezuela e seu voto permanecia com requisito para que Caracas se integrasse ao Mercosul.

Essa crise acontece em um momento delicado para o bloco regional, que relançou a negociação de um tratado de livre comércio com a União Europeia.

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