Vice-ministro boliviano sequestrado por mineiros é assassinado

La Paz, 26 Ago 2016 (AFP) - O vice-ministro do Interior da Bolívia, Rodolfo Illanes, sequestrado por mineiros que bloqueavam uma estrada, foi assassinado por seus captores, informou nesta quinta-feira o ministro de Governo, Carlos Romero.

"Todos os indícios apontam que nosso vice-ministro Rodolfo Illanes foi covarde e brutalmente assassinado", assinalou Romero em entrevista coletiva.

A notícia do assassinato deixou o presidente Evo Morales "profundamente comovido", informou o ministro da Defesa, Reymi Ferreira.

Illanes, um advogado que havia assumido o cargo de vice-ministro em março, foi ao local do bloqueio, na altura da cidade de Panduro, para negociar com os mineiros, que têm demandas trabalhistas.

O vice-ministro "estava convencido de que diante do conhecimento que tinha com alguns dirigentes poderia persuadi-los e iniciar um diálogo com o governo (..) mas foi interceptado por mineiros e levado para um morro", revelou Romero.

Reymi Ferreira informou que "há entre 100 e 120 detidos" ligados ao crime e que "já foram identificados os cabeças" do grupo que matou Illanes "com pancadas".

"Este ato não pode ficar impune, serão punidos judicialmente", declarou Ferreira.

O segurança de Illanes conseguiu fugir dos mineiros e está sendo atendido em um hospital de La Paz.

No início da tarde desta quinta-feira, após o sequestro, Illanes havia informado por telefone a jornalistas que estava "muito bem de saúde", e que "tranquilizassem" sua família. "Estou sentado aqui, protegido pelos companheiros para que ninguém me machuque".

Mas algum tempo depois, o jornalista Moisés Flores, diretor da rádio Fedecomín, da cooperativa dos mineiros, viu o corpo do vice-ministro sem vida".

O procurador-geral Ramiro Guerrero anunciou que cinco promotores foram enviados a Panduro, 100 km a oeste de La Paz.

Os mineiros, agrupados em cooperativas privadas, tomaram as estradas na segunda-feira, exigindo a libertação de dez detidos sob acusação de atentar contra a vida de policiais e contra bens do Estado. A acusação remete a confrontos esporádicos ocorridos no início de agosto.

Eles também exigem negociar diretamente com o presidente Evo Morales, seu aliado político, um documento setorial rejeitado de antemão pelo governo. Esse coletivo ocupa importantes cargos no Executivo, em uma Superintendência do ramo e no Congresso, onde conta com senadores e deputados.

Segundo Romero, os mineiros do setor cooperativo pressionam para alugar suas concessões mineradoras para empresas privadas, ou estrangeiras, uma ação proibida pela Constituição.

"Os que protestam são cooperativistas comprometidos com transnacionais", denunciou.

A imprensa divulgou o conteúdo de 36 contratos desse tipo firmados pelos mineiros.

Até o meio-dia desta quinta, havia confrontos muito esporádicos em Sayari, Cochabamba (centro), e as estradas estavam cheias de pedras e escombros.

No pior dia de violência, ontem, houve duas mortes por parte dos mineiros em estradas de Cochabamba, segundo a Federação Nacional de Cooperativas de Mineiros (Fencomin). Já o governo anunciou um morto.

"O Plano de Operações da Polícia Boliviana não contempla o uso de armas letais", de acordo com um comunicado do Ministério de Governo.

A possibilidade de iniciar negociações, abertas por gestões da Defensoria do Povo, havia fracassado nesta quinta, devido às mortes na categoria.

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