Rússia anuncia cooperação militar com EUA sobre crise síria

Moscou, 29 Set 2016 (AFP) - Moscou está pronta para cooperar com os Estados Unidos na crise síria - anunciou o Ministério russo da Defesa, nesta quarta-feira (28), pouco depois de Washington ameaçar suspender sua cooperação.

Por determinação do presidente Vladimir Putin, o Exército russo está preparado para enviar seus "especialistas" militares a Genebra para uma "retomada das consultas" com seus colegas americanos, visando a encontrar soluções para a "normalização" da situação em Aleppo e na Síria, em geral, segundo o Ministério da Defesa.

"Depois de uma conversa por telefone entre o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, e o secretário de Estado, John Kerry, o presidente (Vladimir Putin) encarregou o Ministério das Relações Exteriores e o da Defesa que estejam prontos para continuar trabalhando de maneira conjunta com nossos sócios americanos no tema da Síria", declarou o alto chefe do Estado-Maior russo, general Viktor Poznijir.

"Está previsto em um futuro muito próximo que se enviem especialistas russos a Genebra para retomar as consultas com seus pares americanos para encontrar uma solução visando à normalização da situação em Aleppo e em toda a Síria", declarou o general.

No telefonema a Lavrov nesta quarta, Kerry advertiu que Washington colocaria fim à cooperação na Síria, a menos que Moscou detivesse os ataques a Aleppo.

"Ele informou ao ministro das Relações Exteriores que os Estados Unidos se preparam para suspender a cooperação bilateral EUA-Rússia na Síria... a menos que a Rússia dê passos imediatos para terminar com o cerco a Aleppo e restaurar o cessar das hostilidades", assinalou o Departamento de Estado americano.

Kerry citou a criação de um "centro conjunto" de coordenação militar previsto pelo acordo firmado em Genebra entre Rússia e Estados Unidos em 9 de setembro passado, mas que foi pelos ares dez dias depois.

Moscou deveria convencer seu aliado, o presidente sírio, Bashar al-Assad, a controlar suas forças militares e pôr fim aos bombardeios contra civis, enquanto Washington se comprometeu com persuadir os rebeldes a se afastar do grupo extremista Fateh al-Sham, ex-aliado da Al-Qaeda, antes conhecido como Frente Al-Nusra.

Novos bombardeios sobre hospitaisNo amanhecer desta quarta-feira, os dois hospitais mais importantes do leste de Aleppo ficaram fora de serviço: um, por causa de um ataque aéreo; e outro, por disparos de artilharia, segundo a Syrian American Medical Society (SAMS), uma ONG médica com sede nos Estados Unidos.

Pelo menos dois pacientes morreram, e dois membros do pessoal de Saúde ficaram feridos nesses ataques, declarou a ONG Médicos sem Fronteiras.

"Essa é uma guerra dirigida aos trabalhadores sanitários da Síria", denunciou Ban Ki-moon, lembrando que o Direito Internacional obriga a proteger o pessoal e as instalações médicas.

"Os ataques deliberados contra hospitais são crimes de guerra", acrescentou.

Nesta quarta, o secretário-geral da ONU classificou de "crimes de guerra" os bombardeios dos dois principais hospitais da parte rebelde de Aleppo.

Para as ONGs consultadas pela AFP e para muitos moradores, esses ataques deliberados do governo sírio e seu aliado russo buscam aniquilar as infraestruturas nos setores sitiados.

Para Diana Semaan, da Anistia Internacional, esses bombardeios continuam forçando os 250.000 habitantes dos setores rebeldes a fugir para áreas sob controle do governo.

"O único objetivo desses ataques contra os hospitais é aumentar o sofrimento dos civis, destruir as infraestruturas para obrigar os civis a partir para as regiões onde continua havendo infraestruturas", explicou à AFP.

A violência dos ataques levou o papa Francisco a lançar "um apelo à consciência dos responsáveis pelos bombardeios, que terão de prestar contas a Deus", completou Diana.

Um dos geradores de um dos dois hospitais ficou completamente destruído. Três empregados foram feridos no segundo hospital, incluindo um motorista de ambulância, uma enfermeira e um contador, segundo Adham Sahlul, da SAMS.

Sahlul chamou os ataques de "deliberados", acrescentando que "restam apenas seis hospitais ativos, agora que esses dois estabelecimentos estão fora de serviço".

"As pessoas feridas e os doentes em estado grave devem ser retirados do setor leste de Aleppo", declarou a ONG Médicos sem Fronteiras.

Mais de 165 pessoas - civis em sua maioria - morreram nos bombardeios desde 22 de setembro, relatou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

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