Partidos políticos iniciam negociações após eleição na Islândia

Reykjavik, 30 Out 2016 (AFP) - A Islândia iniciou neste domingo (30) uma fase de intensas negociações políticas após as eleições legislativas antecipadas.

Apesar dos bons resultados dos Piratas frente à direita, nenhum partido alcançou maioria.

O primeiro-ministro Sigurdur Johannsson, cujo Partido do Progresso obteve seu pior resultado em um século, apresentou sua renúncia ao presidente da República, Gudni Johannesson, na tarde deste domingo.

De acordo com a Constituição, ele e seu gabinete continuarão no cargo até que um novo governo seja formado.

Formar una coalizão majoritária em um Parlamento com uma representação tão fragmentada, com sete partidos presentes, "será uma tarefa complicada", declarou Johannsson a jornalistas após a reunião com o primeiro-ministro.

Tradicionalmente, o presidente islandês confia ao líder do partido vencedor a tarefa de negociar uma coalizão para formar um governo. Dessa forma, a tarefa caberá ao presidente do Partido da Independência, Bjarni Benediktsson, atual ministro das Finanças.

Pequena ilha no Atlântico Norte, a Islândia parece dividida entre uma parte da população que quer virar a página da crise financeira de 2008 e uma outra que busca, principalmente, estabilidade e independência.

Ao contrário do que ocorre em vários países da Europa continental, a Islândia não registra um avanço significativo da direita e parece pronta para deixar de lado as formações históricas e confiar o país a um conjunto inédito de partidos de esquerda.

O Partido Pirata, amálgama heterogêneo de hackers, militantes ecológicos e anarquistas, criado em 2012, promove maior democracia direta e transparência na vida política. Para muitos, encarna a esperança de renovação.

Embora as pesquisas tenham dado aos Piratas mais de 40% das intenções de voto há seis meses, a eleição legislativa se revelou um êxito pela metade para esse partido que tinha prometido "fazer história".

Com nove eleitos para o Parlamento unicameral, o partido triplicou seu resultado de 2013 e se tornou a segunda formação política do país, no mesmo nível do movimento Esquerda Verde. Ao não atingir a maioria dos votos, corre o risco, porém, de ficar às portas do poder.

'Robin Hood do poder'"Aconteceu o que podíamos pressupor: os jovens eleitores não se moveram", apesar de constituírem o núcleo do público ao que os Piratas se dirigem, analisou o cientista político Gretar Eytorsson.

Em entrevista coletiva neste domingo, Birgitta Jonsdottir, líder dos Piratas, disse estar "feliz" com os resultados obtidos por seu partido. Os Piratas, os "Robin Hood do poder", estão "abertos ao compromisso" para entrar em um Executivo de várias cores, assegurou.

A coalizão de centro-direita atualmente no poder perde a maioria absoluta que obteve em 2013 devido à queda do Partido do Progresso, golpeado por conflitos internos. No domingo, o primeiro-ministro defendeu na televisão o balanço da sua gestão e afirmou ter contribuído com a "redução da dívida das famílias", após a crise financeira de 2008.

Seu sócio no governo, o Partido da Independência, avança e volta a se converter no primeiro partido da Islândia. Apoiado por investidores, grandes empresários da pesca, aposentados e eurocéticos, conseguiu fazer a população esquecer que dois de seus ministros estavam envolvidos no escândalo dos "Panama Papers".

Os Piratas não pararam de denunciar os "negócios" dos partidos de centro-direita que têm governado o país quase ininterruptamente desde 1944 e que fecharam a porta para uma coalizão dirigida pelo Partido da Independência.

A eleição foi convocada antecipadamente após a renúncia do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson, do Partido do Progresso, o único chefe de governo do mundo a perder o cargo devido a seu envolvimento nos "Panama Papers".

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