Timochenko defende candidato único à Presidência de defensores da paz na Colômbia

Bogotá, 25 Nov 2016 (AFP) - O líder máximo das Farc, Rodrigo Londoño, "Timochenko", pediu nesta sexta-feira um candidato único para as presidenciais de 2018 dos defensores da paz na Colômbia, após o acordo assinado na véspera, o qual, afirmou, tem "um gosto de vitória" para a guerrilha.

"Iniciamos um chamado a construirmos uma candidatura que colete todas as aspirações dos que querem a paz e que garanta a continuidade destes acordos", disse o líder rebelde em coletiva de imprensa em Bogotá com correspondentes estrangeiros, entre eles a AFP.

O líder rebelde afirmou que "um dos requisitos" da pessoa que eventualmente se candidate é que "não ofereça resistência nem em uma parte, nem na outra", em alusão ao governo e aos simpatizantes e militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas).

"Timochenko" se absteve de dar nomes, ao ser perguntado se um eventual candidato poderia ser o chefe das negociações do governo com a guerrilha, Humberto de la Calle, que não descartou, nem confirmou suas pretensões presidenciais.

O governo de Juan Manuel Santos e as Farc assinaram na quinta-feira, em Bogotá, um novo acordo de paz que inclui propostas da oposição, depois que o original foi rechaçado em um referendo realizado em outubro.

Durante a cerimônia, o líder rebelde ressaltou a importância que teria para o país a formação de um governo de transição que defenda o cumprimento do que foi pactuado, depois de quase quatro anos de negociações em Cuba.

"É começar a procurar (...) para garantir que a paz saia adiante", informou o comandante guerrilheiro.

O máximo líder das Farc, que se levantou em armas contra o Estado após um levante camponês em 1964, considerou que o novo pacto tem "um gosto de vitória" para a guerrilha porque se antepôs ao revés eleitoral de outubro.

"Flexibilizamos posições, mas não de princípios. O grosso, a estrutura fundamental do acordo foi mantido", assegurou.

A Colômbia vive um conflito armado de mais de meio século que confrontou guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita e agentes do Estado, que deixou um balanço de 260.000 assassinatos, mais de 60.000 desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.

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