Destroços do avião russo são encontrados a 27 m de profundidade

Sochi, Rússia, 26 dez 2016 (AFP) - Várias partes do avião militar russo Tu-154, caído no domingo (25) no Mar Negro com 92 pessoas a bordo, foram encontradas nesta segunda-feira a 27 metros de profundidade, enquanto a equipe de mergulhadores ainda busca os corpos das vítimas e as caixas-pretas da aeronave.

"Partes do avião foram encontradas a 27 metros de profundidade, cerca de uma milha náutica da costa (1,8 km)", declarou a porta-voz Rimma Tchernova, da equipe do Ministério russo de Emergências em Sochi.

Agora, as equipes do Ministério tentam localizar exatamente onde está cada fragmento e seu tamanho, acrescentou.

O Tu-154 do Ministério russo da Defesa caiu dois minutos e 44 segundos após decolar da estação balneária de Sochi, rumo à Síria.

As causas do acidente ainda não foram esclarecidas, mas os investigadores parecem descartar a pista terrorista.

Uma enorme operação de busca está em andamento para encontrar os destroços e as caixas-pretas do avião. Mais de 3.500 pessoas, incluindo 150 mergulhadores, 45 embarcações, bem como cinco helicópteros e drones, estão em ação.

Onze corpos e 150 fragmentos de avião foram encontrados até o momento, entre eles um pedaço da fuselagem de 3,5 metros por 4,5 metros, próximo à costa, segundo o Ministério da Defesa.

Dez dos 11 corpos foram transferidos para Moscou, onde serão identificados.

Em um comunicado, o porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konachenkov, informou que o raio de dispersão dos destroços do avião foi de cerca de 500 metros.

A catástrofe provocou uma grande comoção na Rússia, uma vez que dezenas de vítimas eram do coro Ensemble Alexandrov - conhecido por suas turnês ao exterior sob o nome de Coro do Exército Vermelho. Trata-se de um dos símbolos do país e um orgulho nacional.

Depois de uma reunião da comissão especial criada na véspera, o ministro russo dos Transportes, Maxim Sokolov, afirmou nesta segunda-feira (26) que, entre as principais hipóteses na investigação, "não está incluída a de ato terrorista".

"Os motivos podem ser diversos. Os especialistas do comitê de investigação estão analisando", afirmou, antes de citar um "problema técnico, ou um erro do piloto".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou que "a tese de um ato terrorista está longe de aparecer no topo da lista".

Na mesma linha, os serviços secretos (FSB) afirmam que "nenhum elemento, ou fato" reforça a tese de atentado.

"As pistas privilegiadas são a infiltração de um corpo estranho na turbina, um combustível de má qualidade, causando perda de potência, (...) um erro do piloto, ou uma falha técnica do avião", acrescentou a FSB, citada pelas agências russas de notícias.

Dia de lutoO presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um dia de luto nacional para homenagear as vítimas e pediu uma "investigação minuciosa para determinar as causas da catástrofe".

De acordo com o Ministério da Defesa, o Tupolev Tu-154 desapareceu dos radares às 5h27 (0h27 de Brasília). O sumiço aconteceu dois minutos depois de decolar do aeroporto de Sochi, no município de Adler, às margens do Mar Negro, com destino à base aérea de Hmeimim, perto de Latakia, na Síria.

A aeronave transportava 84 passageiros e oito integrantes da tripulação. Entre as vítimas, estavam 64 membros do Coro Alexandrov, incluindo seu diretor e oito militares.

Eles viajavam para a Síria para passar o Ano Novo com os soldados russos mobilizados no país desde setembro de 2015, em apoio ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, aliado de Moscou.

No avião também estavam nove jornalistas dos canais de televisão Pervy Kanal, NTV e Zvezda, dois funcionários civis de alto escalão e a diretora de uma organização beneficente muito conhecida na Rússia, Elizavéta Glinka.

A ativista, conhecida como "doutora Liza", levava medicamentos para o hospital universitário de Latakia, informou o diretor do Conselho dos Direitos Humanos (vinculado ao Kremlin), Mikhail Fedotov, citado pela agência de notícias Interfax.

Vários aviões Tupolev-154 sofreram acidentes nos últimos anos. Em 2010, uma aeronave desse tipo com 96 pessoas a bordo, incluindo o presidente Lech Kaczynski e altos dirigentes poloneses, caiu durante a tentativa de pouso na região de Smolensk (oeste da Rússia). A tragédia não deixou sobreviventes.

O Ministério da Defesa informou que o avião que sofreu o acidente no domingo estava em operação há 33 anos e tinha 6.689 horas de voo. Havia passado por reparos pela última vez em dezembro de 2014 e por uma revisão há três meses.

Quase 4.300 soldados russos estão mobilizados na Síria, onde a Rússia reforça sua presença militar com instalações como a da cidade portuária de Tartus (noroeste). Essa infraestrutura seria transformada em uma base naval permanente nesse país em guerra desde 2011.

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