Felicidade e depressão, sentimentos antagônicos após posse de Trump

Washington, 20 Jan 2017 (AFP) - Encantados ou horrorizados, milhares de americanos foram nesta sexta-feira ao National Mall de Washington para ver a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

Os contentes vestiam roupas coloridas com as frases e o rosto do novo líder republicano, que se tornou o 45º presidente dos Estados Unidos. Os infelizes exibiam cartazes e gritavam palavras de ordem contra Trump.

Steve McDonald, um vendedor de tapetes de 52 anos da Pensilvânia, estava entusiasmado. Para ele, Trump é o agente perfeito para promover a mudança política e econômica que o país precisa.

"É um momento transcendental na minha vida", disse McDonald enquanto caminhava em uma manhã fria e chuvosa.

"Me parece terrível", declarou Ben Brun, um professor de Nova York que carregava um cartaz pedindo a deportação de Trump.

Os partidários de Trump, como McDonald, disseram que perdoam as faltas do novo presidente: seus comentários depreciativos contra mulheres e imigrantes, sua susceptibilidade aos ataques de opositores e sua tendência em conduzir a política externa através do Twitter.

Os detratores, como Brun, descreveram Trump como desagregador, falso, racista e trambiqueiro, alguém apenas interessado em ganhar dinheiro e levar o país por um caminho obscuro e incerto.

"Chegou a hora deste país ser nosso, do povo", afirmou Darla Clark, uma bancária da Califórnia, que vestia um chapéu de cowboy com as cores da bandeira americana: vermelha, branca e azul.

"Somos nós que pagamos impostos, as coisas tem que acontecer pensando em nós e acredito que Trump vai conseguir isto", disse Clark.

Damaris Schuler, uma historiadora de 36 anos do Texas, confessou que Trump não era sua primeira opção para presidente, mas depois mudou de opinião.

Schuler não gostou do discurso de Trump contra as mulheres e os imigrantes, mas justificou o direito do agora presidente de se manifestar livremente.

"Todo mundo se manifesta de formas diferentes e isto é a maravilha da liberdade de expressão", declarou Schuler, que carregava seu filho de 18 meses, vestido com um gorro com as cores da bandeira americana.

Nas ruas, todos os acessórios para a festa de posse estavam à venda: bandeira, gorro, cachecol e até vuvuzuela com o rosto de Trump.

Em um dos vários protestos realizados em Washington, cerca de 100 pessoas foram afastadas do perímetro do Capitólio pela polícia.

O grupo carregava cartazes chamando o novo presidente de racista e até o tradicional lema "O povo unido jamais será vencido".

"Perdeu por três milhões", dizia o cartaz de David Schein, um ator de 67 anos de Vermont. Esta foi a vantagem no voto popular que obteve Hillary Clinton na eleição de novembro, apesar da derrota no sistema de colégios eleitorais.

Para Schein, é uma hora "espantosa" na história do país. Trump "é mentiroso, corrupto, racista, xenófobo, um interessado apenas no lucro, sem moral...".

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