Anos de esforços diplomáticos para tentar resolver o conflito na Síria

Beirute, 21 Fev 2017 (AFP) - Desde o início, em 2011, do conflito na Síria, foram muitas as tentativas diplomáticas para acabar com a guerra, sendo o futuro do presidente Bashar Al-Assad um dos principais empecilhos.

- Iniciativas árabes - Em 2 de novembro de 2011, a Liga Árabe anunciou um acordo sobre um plano de cessar-fogo, a libertação dos detidos e retirada do exército das cidades.

Nenhuma disposição é respeitada. Nas semanas subsequentes, a Liga suspendeu a Síria e aplicou sanções até então inéditas.

No final de 2012, o regime sírio fecha a porta a qualquer mediação árabe.

- Genebra I - Em 30 de junho de 2012, em Genebra, o chamado "Grupo de Ação sobre a Síria" (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e representantes da Liga Árabe, Turquia e União Europeia) concorda com uma transição política, mas não consegue entrar em acordo sobre como realizá-la.

Washington queria que o acordo, que nunca foi implementado, abrisse o caminho para a era pós-Assad, enquanto Moscou e Pequim, aliados de Damasco, afirmavam que os sírios deveriam decidir o seu futuro.

- Genebra II - Em janeiro de 2014, acontece em Genebra as primeiras negociações entre o regime e a oposição, que terminam sem resultados.

Em 15 de fevereiro, o mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, que substituiu Kofi Annan em 2012, põe fim às negociações antes de renunciar por sua vez.

- Reuniões de Viena - Em 30 de outubro de 2015, um mês após o início da intervenção russa para apoiar o regime sírio, 17 países, incluindo Rússia, Estados Unidos, França e, pela primeira vez, o Irã, estudam uma solução política em Viena, sem a presença de representantes sírios.

Mas não há acordo sobre o futuro de Assad.

Em 14 de novembro outra reunião termina em fracasso, pelo mesmo motivo.

Em 18 de dezembro, pela primeira vez, o Conselho de Segurança da ONU adota uma resolução com um roteiro para uma solução política, com um governo de transição e eleições dentro de 18 meses.

No início de 2016, são realizadas em Genebra três rodadas de negociações indiretas entre o regime e grupos da oposição, supervisionadas pelo enviado da ONU Staffan De Mistura.

Mas nenhum consenso é alcançado sobre as modalidades de uma possível transição. No terreno, as violações do cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos e pela Rússia são recorrentes.

- Rússia, Turquia e Irã assumem - Em 9 de agosto de 2016, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país apoia os rebeldes, reúne-se com seu colega russo, Vladimir Putin, para selar a reconciliação entre os dois países após uma crise provocada quando a aviação turca derrubou um caça russo na fronteira síria no final de 2015.

Duas semanas depois, a Turquia lança uma operação militar na província de Aleppo para combater os extremistas do grupo Estado Islâmico e as milícias curdas.

Em 22 de dezembro, o regime retoma o controle da cidade de Aleppo, ao término de uma operação de evacuação de dezenas de milhares de civis e rebeldes graças a um acordo patrocinado pela Rússia, Irã e Turquia.

Os três "padrinhos" assumem as rédeas da crise e impõem em 30 de dezembro um cessar-fogo entre o exército sírio e grupos rebeldes.

Em 23 e 24 de janeiro de 2017, e, em seguida, em 16 de fevereiro, organizam em Astana (Cazaquistão) negociações reunindo pela primeira vez à mesma mesa representantes do regime e uma pequena delegação rebelde.

Mas os encontros, organizados pela primeira vez sem o envolvimento dos Estados Unidos, terminam sem progressos significativos.

- Quarta rodada em Genebra - Os representantes da oposição e do regime vão se reunir na quinta-feira em Genebra para uma nova rodada de discussões sob os auspícios da ONU.

Mas as forças do governo intensificaram nos últimos dias seus bombardeios contra posições rebeldes nos arredores de Damasco, "uma mensagem sangrenta" destinada a sabotar as negociações segundo a oposição.

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