Reações ao Brexit: lamentações, moderação e preocupações

Paris, 29 Mar 2017 (AFP) - Entre lamentações e resignação, os líderes europeus expressaram nesta quarta-feira o desejo de continuar a trabalhar com Londres, mas preveem um futuro que não será fácil de gerir, enquanto os partidos eurocéticos ganham terreno.

- O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, declarou em um comunicado: "Nós lamentamos que o Reino Unido deixará a UE" e "já sentimos sua falta", mas a União Europeia agirá "de forma unida e preservará seus interesses" nas negociações.

- Se o Brexit é "emocionalmente doloroso" para os europeus, será "economicamente doloroso" para os britânicos, advertiu o presidente francês, François Hollande, a repórteres durante um deslocamento na Indonésia. "Vai acabar com um acordo comercial entre o Reino Unido e a Europa, e desejamos que seja o melhor acordo comercial possível, para a Europa e para o Reino Unido", afirmou, ressaltando que a intenção "não é punir" os britânicos. Segundo ele, o Brexit vai "obrigar a Europa a avançar, provavelmente com velocidades diferentes."

- A chanceler alemã, Angela Merkel, desejou que Londres continue a ser "um parceiro próximo" da União Europeia. "Nós, dentro da União Europeia, vamos conduzir de forma justa e equilibrada as negociações futuras e eu espero que isso valerá também para o governo britânico, a primeira-ministra britânica me assegurou no telefone" na terça-feira, declarou.

Merkel indico ainda que as discussões sobre as futuras relações entre a Grã-Bretanha e a UE só poderão acontecer após a conclusão daquelas sobre as condições do Brexit, rejeitando assim um pedido de negociações paralelas da premiê Theresa May.

-"Há muito em jogo (...) Devemos permanecer calmos, realistas, e vamos negociar", reagiu o ministro holandês das Relações Exteriores, Bert Koenders, acrescentando que os "cidadãos e as empresas" vão "sentir os efeitos" da decisão britânica. A Holanda lamenta a perda de "um parceiro", mas se compromete a "evitar um divórcio e construir uma outra amizade" com o Reino Unido, acrescentou.

- "É um dia histórico que vai marcar a entrada da Europa em um caminho ainda desconhecido", declarou o ministro português das Finanças, Mario Centeno, durante uma visita a Londres, acrescentando esperar que os "cidadãos europeus vão sair com vantagens" das negociações entre a UE e Londres.

- O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, escreveu no Twitter: "Hoje não é um bom dia. O Brexit abre um novo capítulo na história da União, mas estamos prontos, vamos seguir em frente, esperando que o Reino Unido continue a ser um parceiro próximo".

- Manfred Weber, presidente do grupo do Partido Popular Europeu (PPE, direita) no Parlamento Europeu, afirmou em um comunicado: "A história mostrará que o Brexit é um grande erro", o Parlamento Europeu deverá aprovar o tratado final das negociações e "vamos defender os interesses dos 440 milhões de cidadãos da UE", com três pontos-chave: o destino dos cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e dos britânicos que vivem na UE, os compromissos financeiros britânicos para a UE e a salvaguarda da paz na Irlanda do Norte.

- "Um dia triste, mas é bom para esclarecer", estimou no Twitter a embaixada da Dinamarca junto à UE, acrescentando: "A Dinamarca está bem preparada para as negociações", onde insistirá "no equilíbrio entre os direitos e deveres".

- Para a Suíça, que não faz parte da UE, o Brexit não muda nada neste momento, segundo declarou numa coletiva de imprensa o presidente da Confederação, Doris Leuthard. Para o Conselho Federal, o importante é defender os interesses suíços, acrescentou, esperando que não haja uma ruptura nas relações, particularmente comercial, entre Berna e Londres.

- Nigel Farage, ex-líder do partido anti-europeu britânico UKIP e grande arquiteto do Brexit, preconizou: "A União Europeia não irá se recuperar. Nós somos os primeiros a partir. É histórico. Agora seremos nós que controlaremos as coisas".

- Na França, Florian Philippot, vice-presidente da Frente Nacional (FN), partido de extrema-direita favorável a uma saída do euro, comemorou no Twitter: "Com o Brexit, o Reino Unido revive a liberdade. Não há nada mais precioso. Parabéns! Logo a França também será livre ".

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