Astiz e Acosta condenados à prisão perpétua por crimes na ditadura argentina

Buenos Aires, 29 Nov 2017 (AFP) - A Justiça argentina condenou nesta quarta-feira (29) dois ex-pilotos militares por participar dos "voos da morte", um dos métodos de desaparecimento forçado durante a última ditadura (1976-1983).

Mario Daniel Arrú e Alejandro Domingo D'Agostino foram condenado à prisão perpétua por participar dos voos nos quais opositores eram lançados vivos no mar ou nas águas do Rio da Prata de aviões militares, uma forma de fazê-los desaparecer sem deixar vestígios.

O ex-piloto militar argentino-holandês Julio Poch, também acusado no caso, foi absolvido, assim como Ricardo Ormello.

Poch foi extraditado da Espanha em 6 de maio de 2010.

Ao depor em 2013, Poch negou sua participação nos voos e disse nunca ter estado na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o mais emblemático centro de extermínio do regime, nem ter integrado um "grupo de trabalho" de repressão ilegal na ditadura.

"Eu não participei da luta contra a subversão e eu não tive nada que ver com os voos da morte e não confessei porque não tenho nada a confessar", disse aos juízes o ex-aviador, que foi piloto na Transavia, filial da Air France da KLM.

Poch se reformou como capitão-de-fragata em fevereiro de 1981, após o que radicou-se na Holanda com mulher e três filhos.

É a primeira vez que a Justiça emite uma sentença pelos "voos da morte" na Argentina, que já julgou e condenou vários agentes da ditadura por diversos crimes, como homicídios, tormentos e roubos de bebês.

Entre as vítimas dos "voos da morte" estão as freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet, sequestradas e assassinadas juntamente com fundadoras do organismo humanitário Mães da Praça de Maio, em dezembro de 1977.

Os restos mortais de Duquet e três mães da Praça de Maio foram encontrados pouco após seu sequestro em uma praia da costa atlântica argentina e enterrados sem nome em um cemitério próximo. Em 2005, foram exumados e identificados pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. Domon continua desaparecida.

As sentenças sobre os "voos da morte" ocorreram no âmbito de um processo com 54 denunciados que investigou 789 atos, o maior desde 2003 e o terceiro julgamento por violações dos direitos humanos cometidos na ESMA.

Trinta mil pessoas desapareceram durante a ditadura, segundo organismos humanitários.

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