Empresas norte-coreanas na China têm 20 dias para fechar

Pequim, 21 dez 2017 (AFP) - Foi iniciada a contagem regressiva para as empresas norte-coreanas na China, que, afetadas pelas sanções internacionais, têm menos de três semanas para fechar as portas, quer sejam restaurantes, casas de shows, ou companhias de importação e exportação.

A China, que representa 90% do comércio exterior da Coreia do Norte, está cumprindo sanções adotadas em setembro nas Nações Unidas, após o último teste nuclear do regime de Kim Jong-un. O Conselho de Segurança deu, então, quatro meses aos países-membros para fecharem as empresas com capital norte-coreano.

Na China, isso se traduz em uma data-limite fixada em 9 de janeiro. As empresas atingidas foram informadas de que haveria inspeções após esse prazo para conferir se elas encerraram suas atividades, disse à AFP um funcionário do Ministério chinês do Comércio.

É uma má notícia para os quatro escritórios de importação e exportação instalados em um beco de Pequim, perto da embaixada da Coreia do Norte.

Em uma dessas empresas, chamada "Vitória eterna", o homem que abre a porta à AFP explica que a empresa compra produtos de primeira necessidade na China. Ele é muito crítico ao presidente americano Donald Trump, acusado de ter iniciado as sanções contra o seu país.

"Por culpa deste canalha nosso país sofre muito. Nós o desprezamos", afirma ele, que diz não saber o que vai acontecer com a empresa após o dia 9.

"Não importam as ameaças. Nós contamos com nossas próprias forças. Nos beneficiamos de nossa economia de autossuficiência", completa.

- Investidores no tribunal -A mesma incerteza é sentida no Yuliuguan, um restaurante de culinária norte-coreana, onde uma garçonete nega que a data-limite iminente a afete.

"Obedeço às ordens da minha Pátria-Mãe", afirma, em um chinês imperfeito.

O estabelecimento, que se orgulha de suas "belas mulheres norte-coreanas trajando vestimenta nacional", tem um palco para espetáculos musicais, bem como prateleiras com pilhas de cópias falsas de "Guerra e Paz", romance do escritor russo Leon Tolstói.

Há alguns anos, os restaurantes norte-coreanos estiveram na moda entre os novos-ricos chineses e ainda eram frequentados por norte-coreanos de passagem por Pequim. Alguns se abriram como consórcios, nos quais os chineses aportam o capital, enquanto os norte-coreanos entram com o espetáculo e a gastronomia.

- Empresas-fantasma -Outras empresas da Coreia do Norte já têm um aspecto fantasma. A sociedade Beijing Wanjing Science and Technology, por exemplo, parece ter mudado de direção com frequência nos últimos anos, mas permanecendo no mesmo prédio comercial de Pequim. O imóvel também é ocupado pela gigante digital americana Hewlett Packard (HP).

Segundo o registro comercial, a empresa é especializada na criação de softwares. Uma ex-contadora garante, porém, que não sabe exatamente qual é sua atividade.

Um vizinho do último endereço da empresa disse à AFP que a empresa chegou cerca de seis meses atrás, com quatro, ou cinco jovens. O grupo ocupou esses escritórios onde viram clientes entrarem.

"Eles foram muito reservados", declara o vizinho, acrescentando que "eles viveram e trabalharam no apartamento".

No Centro de Arte Tradicional da Coreia, que vende artesanato norte-coreano, dizem que não vão fechar. Uma pintura que representa uma mulher coreana que enfrenta uma tempestade de neve com um sinal em sua mão parece, porém, menos categórica: "Sempre pronto", diz o cartaz.

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HEWLETT PACKARD

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