Kremlin defende legitimidade de eleição mesmo com opositor impugnado

Moscou, 26 dez 2017 (AFP) - O Kremlin defendeu nesta terça-feira a legitimidade das eleições presidenciais na Rússia em março mesmo depois da impugnação da candidatura do principal opositor de Vladimir Putin, Alexei Navalny.

"O fato de que, em virtude da lei, uma pessoa que deseja ser candidato não afeta de forma alguma a legitimidade da eleição", declarou à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.

Navalny, por sua vez, defendeu na segunda-feira o boicote às eleições presidenciais de 18 de março, após a notícia de sua impugnação para um processo que deve conceder ao presidente Putin seu quarto mandato.

A Comissão eleitoral russa rejeitou a candidatura de Navalny com base em uma sentença judicial precedente, o que o líder opositor qualificou de armação.

A comissão emitiu um voto unânime de rejeição à candidatura durante uma audiência pública na segunda-feira.

"Anunciamos uma greve de voto. Vamos pedir a todo mundo que boicote estas eleições, não reconheceremos os resultados", reagiu Navalny após o anúncio da comissão.

"O processo ao qual fomos convocados não é uma eleição. Apenas Putin e os candidatos que ele escolheu, que não representam qualquer ameaça, poderão participar", declarou Navalny em um vídeo divulgado na Web.

No domingo, o advogado opositor de 41 anos apresentou formalmente sua postulação ao final de um dia de mobilizações a seu favor.

A impugnação era previsível, uma vez que esta comissão já havia advertido em várias ocasiões que Navalny não poderia concorrer a um cargo eletivo antes de 2028 devido a uma condenação judicial por desvio de fundos públicos em um caso que data de 2009.

A presidente da comissão, Ella Pamfilova, afirmou não ter "nenhuma observação" em relação aos documentos fornecidos pelo carismático advogado, repetindo que se tratava de cumprir a lei.

Navalny, 41 anos, foi condenado pela justiça em várias ocasiões e este ano passou por curtos períodos de detenção por manifestações não autorizadas.

O líder opositor mantém sua campanha há meses, o que lhe permitiu estabelecer uma base leal de partidários, às vezes muito jovens, graças a vídeos virais que denunciam a corrupção das elites.

Em março e junho também organizou protestos de uma escala sem precedentes desde as manifestações em 2011 e 2012, que resultaram em centenas de prisões.

Sua popularidade, no entanto, ainda está longe da de Vladimir Putin, aprovado por cerca de 80% dos russos, de acordo com as últimas pesquisas.

Putin, que chegou em 2000 à presidência de um país instável político e economicamente, é elogiado por muitos cidadãos russos por ter trazido prosperidade, principalmente graças ao petróleo, e por colocar a Rússia de volta no cenário internacional.

O presidente, que também se apresenta como um candidato autodesignado para as eleições de março de 2018, tem a vitória quase garantida.

Diante da popularidade do presidente, no poder há 18 anos, e da ausência de seu principal opositor, alguns observadores temem que a abtenção nas eleições seja elevada, o que enfraqueceria a legitimidade do resultado.

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