Pedida libertação de chefe do Sendero Luminoso após indulto a Fujimori

Lima, 26 dez 2017 (AFP) - O advogado do líder da guerrilha peruana Sendero Luminoso pediu, nesta terça-feira (26), a libertação de seu cliente, Abimael Guzmán, condenado à prisão perpétua por terrorismo, após o indulto concedido ao ex-presidente Alberto Fujimori.

"Peço a título pessoal e como advogado a liberdade de meu cliente, o doutor Abimael Guzmán, preso há 25 anos", disse o advogado Alfredo Crespo à AFP.

"Dão liberdade ao senhor Fujimori, que está condenado por fatos relacionados com a guerra interna que o Peru viveu, e (ao) meu patrocinado, que também foi condenado por fatos da guerra interna, e se encontra doente, não podem dar liberdade", indicou.

O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, concedeu o indulto na véspera do Natal a Fujimori (1990-2000), de 79 anos, condenado em 2007 a 25 anos pelas matanças perpetradas durante a luta contra as guerrilhas Sendero Luminoso e MRTA em 1991 e 1992.

Segundo Crespo, Guzmán, de 83 anos, sofre de "hipertensão, (doenças) do coração, depressão, psoríase" e "precisa ser visto por um médico todos os dias".

O Peru necessita uma absolvição integral para todos os protagonistas da guerra interna (1980-2000) e "uma reconciliação nacional", acrescentou.

"Não se pode dar liberdade a uma só pessoa. Se vamos falar de uma absolvição integral, deve-se dar uma anistia geral para civis, militares e policiais que foram parte da guerra interna que o país viveu" entre 1980 e 2000, disse o advogado.

Guzmán cumpre desde setembro de 1992 uma sentença à prisão perpétua por "delitos de terrorismo e crimes contra os direitos humanos".

Além disso, um tribunal processa o líder do Sendero Luminoso por um atentado com carro-bomba em Lima em julho de 1992, que deixou 25 mortos.

A guerra interna deixou cerca de 70.000 mortos, segundo um relatório da Comissão da Verdade e Reconciliação Nacional.

O governo de Fujimori derrotou militarmente o Sendero, embora ainda haja alguns remanescentes em regiões selváticas que atacam ocasionalmente e que estão aliados com narcotraficantes, segundo o governo.

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