Autor de atentado em Estocolmo comparece à Justiça

Estocolmo, 20 Fev 2018 (AFP) - O uzbeque demandante de asilo que reivindicou o atentado com caminhão que deixou cinco mortos no ano passado em Estocolmo declarou no tribunal, nesta terça-feira (20), que desejava matar "infiéis" para se vingar da intervenção da Suécia contra o "califado".

Rajmat Akilov avançou com um caminhão em alta velocidade contra uma multidão em uma avenida movimentada da capital sueca no dia 7 de abril de 2017.

Três suecas, incluindo uma menina de 11 anos, um britânico de 41 anos e uma belga de 31 morreram no ataque. Dez pessoas ficaram feridas.

O uzbeque, de 40, um operário da construção civil que teve o pedido de asilo rejeitado na Suécia, havia jurado lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Embora o EI não tenha assumido a autoria do atentado, Akilov repetiu nesta terça-feira ter recebido a aprovação de "pessoas" do grupo extremista presentes no califado, especialmente no Afeganistão, durante trocas de mensagens por aplicativos de telefone criptografados.

Um mês antes do ataque, ele fez várias fotos de diversos pontos do local em que cometeria o atentado.

"Por que as fotos?", perguntou o promotor.

"Não recordo. Estava passeando e tirei as fotos".

"Por quê?", insistiu o representante da Justiça.

"Para enviar para meus amigos do EI".

"Para que eles aprovassem um atentado? Nestes locais?", questionou.

"Sim", respondeu Akilov.

Para a Promotoria, a presença de Rakhmat Akilov, que preparou o ataque durante três meses com o objetivo de "atropelar infiéis", permitirá entender melhor "o processo de radicalização" islamita dos autores de atentados, marginalizados em um país estrangeiro.

O projeto de Akilov "é parte de um plano mais amplo", o do terrorismo jihadista, opina o promotor Hans Ihrman.

De acordo com o advogado, o acusado queria morrer no atentado, mas a polícia não o matou, e a bomba de fabricação caseira que transportava no caminhão não explodiu.

O uzbeque fugiu, mas foi preso algumas horas depois. Ele confessou o ataque no primeiro interrogatório.

Uma das questões do julgamento, inédito na Suécia, é determinar se Akilov teve a ajuda de algum cúmplice.

A análise de seu telefone celular revelou vários contatos com interlocutores estrangeiros, mas os investigadores não conseguiram identificar nenhum deles.

Depois que a agência de migração rejeitou o pedido de asilo em junho de 2016, Akilov passou à clandestinidade para evitar a expulsão do país.

Pai de quatro filhos, consumidor de bebidas alcoólicas e usuário de drogas - segundo pessoas próximas -, ele morava na Suécia sem a família.

No primeiro dia do julgamento, Akilov não expressou remorso.

"Agi assim porque meu coração e minha alma sofrem pelas vítimas dos bombardeios da coalizão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)", disse o acusado.

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