Justiça francesa diz que morte de judia teve caráter antissemita

Paris, 28 Fev 2018 (AFP) - Após vários meses de disputa, a Justiça francesa considerou que o assassinato de Sarah Halimi em Paris, em abril de 2017, foi de natureza antissemita.

O suspeito, Kobili Traoré, que já havia sido indiciado pelo assassinato desta mulher judia ortodoxa, "compareceu hoje perante o magistrado instrutor", que manteve essa circunstância agravante, indicou uma fonte judicial à AFP nesta terça-feira.

A AFP tentou entrar em contato com seu advogado, sem sucesso.

Na noite de 3 de abril de 2017, em um albergue social no leste da capital francesa, Kobili Traoré, de 27 anos, entrou no apartamento de sua vizinha, Lucie Attal - também chamada Sarah Halimi, de 65 anos.

Gritando "Alá Akbar" e pronunciando insultos e versos do Alcorão, o jovem bateu na mulher na varanda, antes de jogá-la no vazio. "Eu matei o sheitan" [o demônio, em árabe], ele gritou.

Internado no dia seguinte aos eventos, Kobili Traoré foi indiciado em 10 de julho de 2017 por homicídio.

O relatório psiquiátrico publicado em setembro concluiu que o suspeito foi vítima naquela noite de um "grave ataque de loucura" após um forte consumo de cannabis, mas que essa alteração psicótica não descartava sua responsabilidade criminal e não era "incompatível com uma dimensão antissemita".

Tanto a acusação como as partes civis exigiam que o caráter antissemita do crime fosse mantido e pediram a reconstrução dos fatos.

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