Desvanece na Itália acordo de aliança entre antissistema e esquerda

Roma, 30 Abr 2018 (AFP) -

A possibilidade de que o Partido Democrático, de centro esquerda, e a formação antissistema Movimento 5 Estrelas (M5E) cheguem a um acordo para tentar formar um governo na Itália desvaneceu nesta segunda-feira (30) pela oposição de importantes personalidades dos dois setores.

A Itália está politicamente bloqueada após as eleições legislativas de 4 de março, nas quais nenhuma formação ou coalizão obteve a maioria suficiente no Parlamento para governar, tornando necessário apoios externos para liderar o país.

O líder em fim de mandato do Partido Democrático e ex-primeiro-ministro, Matteo Renzi, negou terminantemente no domingo qualquer aliança com os insubmissos do M5E, e atacou com um tom agressivo o seu líder, Luigi Di Maio, reduzindo consideravelmente as chances de chegarem a um acordo de governo, antes mesmo de iniciarem um diálogo formal.

"Di Maio primeiro-ministro? Só ele acredita nisso", ironizou Renzi durante um programa televisivo.

"As duas Coreias estão dialogando, então por que não o PD e o M5E? É bom se reunir, mas não para votar a confiança a um governo liderado por Di Maio, isso não", assegurou.

Apesar de ter renunciado ao cargo de secretário-geral do PD após a derrota eleitoral de março, a maioria dos senadores e deputados eleitos permanece ligado a ele, que continua tendo muito peso no partido.

Diante do duro ataque de Renzi, a reposta de Luigi Di Maio não demorou.

"O PD não consegue se libertar de Renzi, inclusive o partido se reduziu a sua mínima expressão. Hoje tivemos a prova de que Renzi e seu enorme ego são os que decidem tudo nesse partido", escreveu Di Maio em sua conta no Facebook.

"Sabia que não seria fácil, mas nunca pensei ser impossível" formar um governo com a esquerda, reconheceu Di Maio, de 31 anos, que quer liderar o governo.

Na quinta-feira, a direção do PD se reunirá para decidir se dialoga com o M5E. No entanto, a reunião parece agora quase uma formalidade.

Diante da paralisação política, Di Maio convidou nesta segunda-feira o líder xenófobo da Liga Norte e da coalizão de direita, Matteo Salvini, a pedir ao presidente Sergio Mattarella a realização de novas eleições em junho.

"Pedimos a repetição das eleições e que sejam com o segundo turno em junho", declarou.

Tanto Di Maio como Salvini estão convencidos de poder repetir a façanha das eleições, quando os votantes deram 37% dos votos para a coalizão de direita, e o M5E conseguiu, sozinho, históricos 32%.

Mas, de acordo com os prazos estabelecidos pela Constituição, convocar novas eleições para junho é muito difícil e essa solução parece pouco provável.

A última palavra é do presidente Mattarella, que poderia designar um governo "institucional" que aprove o orçamento e reforme a questionada lei eleitoral, assinalada como a causa da paralisação política do país.

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