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Polícia Federal conclui que agressor de Bolsonaro agiu só

28/09/2018 21h33

Brasília, 29 Set 2018 (AFP) - O homem que esfaqueou Jair Bolsonaro em um comício no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, agiu só, de forma premeditada e por motivação política, concluiu a investigação da Polícia Federal, cujo resultado foi divulgado nesta sexta-feira.

"Não tem a menor dúvida que o motivo que levou o senhor Adélio foi o inconformismo político em relação às ideias propagadas pelo candidato Bolsonaro", disse aos jornalistas o delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais Fernandes, encarregado da investigação.

Bolsonaro, que lidera as pesquisas para a eleição presidencial de 7 de outubro, foi esfaqueado quando era carregado nos braços por militantes nas ruas de Juiz de Fora.

A partir da análise das câmeras de segurança de diferentes pontos do centro de Juiz de Fora, de vídeos publicados nas redes sociais e de testemunhos, a investigação concluiu que Adélio agiu só e planejou o ataque quando soube que Bolsonaro iria à cidade como parte de sua agenda eleitoral.

Fotos do celular de Adélio Bispo de Oliveira revelam que ele seguiu os passos de Bolsonaro antes do crime, inclusive esteve no mesmo hotel onde Bolsonaro almoçou no dia do atentado. "Saiu de casa já com a faca envolvida em um jornal dentro da jaqueta".

A investigação revela outros detalhes sobre o agressor, que confessou a autoria do ataque asssim que foi preso: em busca de trabaho, havia se mudado para várias cidades nos últimos tempos.

Comprou uma faca de cozinha com a qual feriu Bolsonaro durante sua permanência em Florianópolis, onde, inclusive, fez aulas de tiro.

Queria comprar uma arma para "defesa pessoal", mas não chegou a fazê-lo devido "às dificuldades para justificar a posse de uma arma de fogo e seu custo elevado", destacou o delegado.

Uma segunda investigação está em curso para determinar - com maior profundidade - se houve alguma participação de terceiros na comissão do crime, incluindo se alguém o instigou ou colaborou materialmente, mas "por hora não temos nada neste sentido".

A Polícia Federal concluiu ainda que o ataque foi um crime contra a segurança nacional, passível de pena de entre 6 e 20 anos de prisão.

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