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Internacional

Barco da ONG Sea-Watch com 47 migrantes chega a cidade siciliana

31/01/2019 13h13

Catânia, Itália, 31 Jan 2019 (AFP) - O barco da ONG alemã Sea-Watch chegou nesta quinta-feira (31) à Catânia, na Sicília, para o desembarque dos 47 migrantes resgatados há 13 dias na costa da Líbia e que devem ser divididos entre sete países europeus.

Escoltado por navios da Guarda Costeira e da polícia, o barco humanitário, com bandeira holandesa, atracou pouco depois de 10h20 (7h20 de Brasília) no porto de Catânia, no leste da ilha. A Cruz Vermelha instalou barracas de campanha no local para receber os migrantes, que se abraçavam e tiravam "selfies" com os voluntários da tripulação.

Foram designados tutores para cada um dos 13 menores, enquanto os adultos serão levados para um centro de identificação e de recepção em Messina, mais ao norte.

Desde sexta-feira, o barco estava ancorado em Siracusa, mais ao sul, para se proteger do mau tempo.

A ONG pedia, em mar aberto, autorização para entregar os imigrantes, diante do temor das reiteradas ameaças de abertura de processo contra as organizações humanitárias lançadas por parte do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini.

A escolha do porto da Catânia "é uma decisão política muito premeditada por parte das autoridades italianas. Estaremos sob a autoridade do procurador (Carmelo) Zuccaro, que é conhecido por sua história pouco amistosa com as ONGs", afirmou Kim Heaton, da Sea-Watch, responsável pelas operações a bordo.

"Nós estamos totalmente convencidos de que não cometemos um crime e que cumprimos a lei à risca", acrescentou.

"Esperamos o melhor e nos preparamos para o pior", completou.

A ONG lançou um pedido on-line para arrecadar 10.000 euros para os gastos legais.

"Ajudem-nos a pagar nossos honorários legais!", solicitam.

Ontem, o chefe do governo italiano, Giuseppe Conte, anunciou ter chegado a um acordo com outros seis países (França, Alemanha, Portugal, Malta, Romênia e Luxemburgo) para receber essas pessoas. A maioria é procedente da África Subsaariana.

O grupo estava desde 19 de janeiro bloqueado na embarcação.

Não ficou claro se a Itália receberá alguns dos migrantes. Enquanto Conte deu a entender que sim, Salvini não confirmou.

Há meses, diplomatas e organizações humanitárias europeias pedem que se estabeleça um mecanismo permanente para a distribuição dos migrantes resgatados no mar, visando a evitar discussões intermináveis a cada caso.

É possível, porém, que isso não se repita, devido ao bloqueio das embarcações humanitárias, como aconteceu com o "Aquarius", da SOS Mediterrâneo e Médicos Sem Fronteiras (MSF), ou com o "Open Arms", da ONG espanhola Proactiva Open Arms.

- Ajuda à imigração ilegal -Salvini não esconde seu desejo de que a Justiça investigue as atividades da tripulação da Sea-Watch.

O governo italiano acusa o grupo de ter impedido que a Guarda Costeira líbia assumisse a responsabilidade dos migrantes, assim como de tentar chegar à Itália, em vez de buscar abrigo na costa tunisiana, mais próxima.

A ONG alega que nem a Líbia, nem a Tunísia se pronunciaram sobre seus pedidos.

Na segunda-feira, o procurador de Siracusa, Fabio Scavone, reconheceu que o comandante do Sea-Watch "não havia cometido crime algum" e que se havia limitado para "salvar os migrantes e eleger o caminho que lhe parecia mais seguro nesse momento".

Uma posição muito diferente à do procurador da Catânia, que há dois anos acusou a ONG de ser cúmplice dos traficantes de pessoas e ordenou o sequestro da embarcação da Open Arms.

A Justiça anulou a decisão baseada no princípio de que a Líbia costuma violar os direitos dos migrantes, mas a investigação ainda está em curso.

"Temos apenas palavras de agradecimento pelo que fizeram", disse um jovem senegalês, entre os migrantes a bordo.

"As pessoas que estão aqui são pessoas pobres, são pessoas que arriscaram suas vidas para vir, que estiveram na prisão, que foram submetidas a todo tipo de tortura antes de chegar", contou.

bur/fcc/ljm/es/erl/fp/tt

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