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Oposição calcula que Venezuela precisa de US$ 70 bi para reativar a economia

Getty Images
Imagem: Getty Images

22/03/2019 15h42

A Venezuela precisará de entre 60 bilhões e 70 bilhões de dólares de injeção financeira para fazer o país - mergulhado em uma das piores crises de sua história - voltar a caminhar, calcula a oposição.

Sob a égide do economista Ricardo Hausmann, representante de Juan Guaidó - líder da oposição reconhecido como presidente interino por mais de 50 países - no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a oposição criou um plano para "criar um círculo virtuoso que permite restaurar a operação da economia (...) e começar a crescer", disse à AFP o venezuelano Miguel Angel Santos, diretor de pesquisa aplicada do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard.

Santos, que participou de um debate sobre o futuro da Venezuela organizado pela Universidade Andrés Bello, em Santiago, revelou que o plano da oposição, com quatro pilares, envolve a solicitação de "assistência maciça" à comunidade internacional entre doações e empréstimos, restaurando os mecanismos de mercado, abrir a Petróleos de Venezuela ao investimento estrangeiro e reestruturar de maneira "agressiva" a dívida com os credores.

A equipe espera Guaidó recorrer a um fundo especial do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as catástrofes e situações de guerra, que poderia alcançar entre "60 e 70 bilhões" de dólares, bem como doações de países amigos para impulsionar a economia, que perdeu quase metade do PIB nos últimos cinco anos, explicou Santos, que chefiou a equipe macroeconômica da oposição Henrique Capriles em 2012 e que atualmente trabalha com Hausmann.

Além de incentivar a importação de matérias-primas e peças de reposição e produtos para reativar a produção - praticamente paralisada -, a equipe econômica de Guaidó contempla um "programa de transferência de renda para as famílias".

Santos diz que eles estão trabalhando em um projeto para resgatar a Venezuela há algum tempo. "Graças a isso, a oposição venezuelana tem um plano", diz Ricardo Hausmann, que já trabalha com agências multilaterais e faz acertos com potenciais doadores e controles sobre os ativos e contas bancárias do governo no exterior, seguindo as sanções impostas pela comunidade internacional aos representantes do governo de Maduro.

220 horas para comprar queijo

Com uma dívida de cerca de 150 bilhões de dólares, o dobro do PIB venezuelano, segundo uma conta feita pelos economistas, na ausência de números oficiais, a Venezuela precisaria dedicar seis anos de suas exportações de petróleo, que representam 96% da receita do país, para quitar o que deve.

A produção de petróleo passou de 3,2 milhões de barris por dia há uma década para pouco mais de 1 milhão hoje.

A Venezuela faz parte do grupo dos 10 países que mais sofrem recuos na produção e nas importações desde 1950. "É o único país em ambas as listas", lamenta Santos.

De 2014 a 2016, as importações caíram 70%. No caso do leite, a queda foi de 87% e, no caso da carne, de 98%. "E isso não foi compensado com a produção nacional", lembra Santos, após ilustrar o drama da crise no fato de que com a hiperinflação - de 1.700.000% ao mês - o salário mínimo dos venezuelanos - cerca de 5,5 dólares - que em 2012 permitiu comprar 60.000 calorias, agora permite adquirir 600 calorias.

"A Venezuela não produz e, como ninguém quer emprestar, não tem como consumir", diz ele.

Como exemplo dessa degradação, ele compara o país com a vizinha Colômbia, onde em março de 2017, duas horas de trabalho permitiram comprar 1 kg de frango; uma hora, 18 ovos; e oito horas, um quilo de queijo. Na Venezuela, para adquirir isso, foram necessárias cinco, quatro e 25 horas de trabalho, respectivamente. Mas, em março deste ano, uma pessoa precisou trabalhar 63, 100 e 220 horas para adquirir esses produtos.

A situação é que "92% da população está em situação de pobreza", levando ao maior êxodo da população em tempos de paz, com a saída de cerca, de acordo com seus cálculos, de "5,2 milhões de venezuelanos", 15% da população. Dependendo da distância e do tempo que esses venezuelanos passam fora, as possibilidades de um retorno diminuem.

"O que estamos pensando é como o país se beneficia de sua diáspora sem que ela volte", conclui.

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