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Começa julgamento do pior acidente aéreo da Argentina 22 anos depois

26/03/2019 17h48

Buenos Aires, 26 Mar 2019 (AFP) - Um tribunal de Buenos Aires começa, nesta terça-feira, a julgar 35 acusados pela queda de um avião em outubro de 1997 na localidade uruguaia de Fray Bentos, que causou a morte dos 74 ocupantes, na pior tragédia aérea da Argentina.

Quase 22 anos após a tragédia, o caso é julgado como 'dano doloso', ou seja, dano em grande escala e produzido com a intenção, por negligência ou inépcia. É um crime punível com entre 10 e 25 anos de prisão.

Em 10 de outubro de 1997, o voo 2553 da companhia aérea Austral que fazia o trajeto entre Posadas (nordeste) e Buenos Aires caiu na cidade uruguaia de Fray Bentos, vizinha da argentina Gualeguaychú (230 km ao norte).

Segundo a denúncia, faltava na aeronave um alarme obrigatório que teria alertado a tripulação que o sistema de aquecimento do 'tubo Pilot' (sensores que determinam a velocidade do vento) não funcionava.

Na primeira audiência desta terça-feira, em Buenos Aires, ocorreu a leitura, diante dos familiares das vítimas, do requerimento de indiciamento e foi definida a data de 9 de abril para a segunda audiência, na qual devem ter início os depoimentos de testemunhas.

O julgamento oral tinha sido adiado quatro vezes, a última há um ano.

Os réus são ex-diretores da Austral, uma companhia de voos internos e regionais que na época estava nas mãos da espanhola Iberia, e ex-membros da Força Aérea Argentina, até então a mais alta autoridade da aviação.

Austral, junto com a Aerolíneas Argentinas, havia sido comprada pela Iberia em 1990 na onda de privatizações impulsionada pelo ex-presidente Carlos Menem (1989-1999). Em 2001, ambas estavam praticamente em falência e passaram para as mãos do Grupo Marsans. Em 2008 voltaram à gestão estatal argentina.

No avião da Austral, um McDonnell Douglas DC-9-32, viajavam 69 passageiros e cinco tripulantes.

Houve um julgamento civil e uma indenização, mas um grupo de familiares das vítimas optou por levar o caso aos tribunais penais.

Na noite da tragédia, a companhia demorou várias horas para informar os familiares das vítimas que aguardavam no Aeroparque de Buenos Aires.

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