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Grupo anti-Coreia do Norte suspende atividades após assalto na Espanha

28/03/2019 11h55

Seul, 28 Mar 2019 (AFP) - Um misterioso grupo de opositores ao regime norte-coreano, suspeito de estar por trás do assalto à embaixada norte-coreana na Espanha - anunciou nesta quinta-feira (28) a suspensão de suas atividades temporariamente, prometendo realizar "grandes coisas" no futuro.

O grupo de Defesa Civil Cheollima (DCC) reivindicou nesta semana o assalto à embaixada norte-coreana em Madri para divulgar as atividades "ilegais" dos representantes diplomáticos de Pyongyang no exterior.

Após semanas de silêncio total, a investigação da Justiça espanhola revelou uma série de informações sobre o ataque e seus autores, liderados por um certo Adrian Hong-chang, também conhecido como Oswaldo Trump, de nacionalidade mexicana, mas residente nos Estados Unidos.

O assalto à embaixada norte-coreana em Madri teve elementos quase cinematográficos, com Chang enganando a polícia e fugindo do lugar depois de chamar um Uber. Ele teria vendido as informações sigilosas que roubou para o FBI americano.

Um comunicado do DCC afirma que os preparativos para derrubar o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, viram-se perturbados pela repercussão midiática de recentes suas ações.

"As atividades dos nossos membros foram suspensas (...) Mas grandes coisas nos esperam", afirma o texto, acrescentando que o grupo não possui envolvimento de norte-coreanos que fugiram para a Coreia do Sul por "estritas razões de segurança".

As informações sobre o DCC - que tirou seu nome de um mítico cavalo alado coreano - são escassas e o grupo teria surgido em 2017, com possíveis vínculos com os serviços de Inteligência da Coreia do Sul.

- CIA e FBI -Segundo analistas, o holofote voltado para esse grupo de ativistas da DCC pode ser tanto uma boa quanto uma má notícia para suas futuras operações.

"Eles podem receber apoio internacional de forças hostis a Pyongyang, e há um ambiente melhor para eles liderarem campanhas mais abertas e públicas", explicou Ahn Chan-il, que escapou da Coreia do Norte e se tornou pesquisador em Seul.

Mas Shin Beom-cheol, pesquisador do Instituto de Estudos Políticos de Asan, afirma que o grupo agora está exposto à retaliação de Pyongyang.

"Se abrirem uma sede no sudeste da Ásia, ou nos Estados Unidos, eles se arriscam a um ataque da Coreia do Norte", afirma.

De acordo com Park Sang-hak, um norte-coreano que fugiu para o sul e alega conhecer o pessoal do DCC, a maioria de seus membros são norte-coreanos que escaparam do regime de Pyongyang e se estabeleceram nos Estados Unidos, com cidadania americana.

Segundo ele, Kim Han-sol, filho do meio-irmão de Kim Jong-un, morto em fevereiro de 2017 no aeroporto de Kuala Lumpur, é um dos membros do grupo. Acredita-se que ele vive nos Estados Unidos sob a proteção do FBI.

Citando fontes policiais e serviços de Inteligência espanhóis (CNI), o jornal espanhol "El País" relata que pelo menos dois membros do comando de Madri "têm ligações com os serviços secretos dos Estados Unidos", isto é, a CIA.

E, em sua declaração de reivindicação na quarta-feira, a DCC afirmou que havia compartilhado "informações de enorme valor com o FBI (a Polícia Federal americana)" depois de seu assalto à embaixada norte-coreana em Madri.

O líder do comando, Adrian Hong-chang, é um ativista de direitos humanos de longa data e um homem muito culto, diz Park.

Em dezembro de 2006, ele foi preso na China juntamente com dois ativistas que tentavam ajudar seis fugitivos norte-coreanos.

Todos foram libertados depois de dez dias. "Ele é uma pessoa muito determinada", afirma Park.

Adrian Hong-chang abriu então uma consultoria chamada Pegasus Strategies, sugerindo uma conexão com o nome do cavalo coreano Cheollima (Pegasus é um cavalo alado da mitologia grega).

No mês passado, o grupo se autoproclamou o governo da Coreia do Norte no exílio, chamado "Joseon Free", nome da dinastia que ocupou o trono coreano de 1392 a 1910, ano da anexação do Japão.

O DCC alegou ter oferecido "proteção" a "compatriotas" no passado e agradeceu a países como Holanda, China e Estados Unidos por sua ajuda.

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