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Premier da Índia lidera apuração da maior eleição do planeta

2019-05-23T02:07:00

23/05/2019 02h07

Nova Délhi, 23 Mai 2019 (AFP) - Funcionários em toda a Índia iniciaram nesta quinta-feira a gigantesca tarefa de contar os cerca de 600 milhões de votos depositados na maior eleição do mundo, cujos primeiros resultados apontam uma vitória do atual premier.

Segundo projeções baseadas nas primeiras informações da Comissão Eleitoral, o premier Narendra Modi e seu partido Bharatiya Janata (BJP) parecem caminhar para uma clara vitória.

O BJP lidera em 277 dos 542 distritos, o que lhe dá mais que as 272 cadeiras que necessita para controlar o Parlamento.

Ao menos 67% dos 900 milhões de eleitores indianos foram às urnas entre 11 de abril e 19 de maio, e os nacionalistas hindus de Narendra Modi esperam permanecer no poder por mais cinco anos.

As eleições transcorreram durante seis semanas e quebraram todos os recordes em termos de volume e complexidade, a um custo aproximado de 7 bilhões de dólares.

A campanha se tornou um plebiscito sobre um dos primeiros-ministros mais populares e polêmicos da história da Índia.

A oposição concentrou seus ataques na gestão econômica de Modi e em sua incapacidade de gerar empregos.

O líder de 68 anos, que participou de dezenas de comícios em todo o país para animar sua base hindu, transformou a campanha em um debate sobre a segurança nacional após o atrito com o Paquistão em março.

Em 2014, Modi e seu conservador partido Bharatiya Janata (BJP) chegaram ao poder com 282 das 545 cadeiras do Parlamento.

Foi a primeira vez que um único partido obteve a maioria em 30 anos.

Rahul Gandhi, 48, do Partido do Congresso e que pretende ser o quarto integrante da família Gandhi-Nehru a dirigir a Índia, foi um duro adversário do atual premier.

As notícias falsas e imagens manipuladas abundaram durante a campanha, como as que mostravam Gandhi e Modi almoçando com Imran Khan, o primeiro-ministro do Paquistão.

Houve também mortes. Os rebeldes maoistas que se opõem ao Estado indiano mataram 15 soldados e seu motorista no estado de Maharashtra, no oeste do país, em 1º de maio.

Confrontos ocorreram no estado-chave de Bengala Ocidental, onde o BJP esperava compensar a perda de apoio em Uttar Pradesh, o estado mais populoso.

Gandhi tentou atacar Modi em várias frentes, especialmente em um suposto caso de corrupção em um acordo de defesa com a França e nas dificuldades dos agricultores e da economia.

Ambos trocaram insultos diariamente: Modi chamou Gandhi de "burro", que por sua vez acusou o primeiro-ministro de ser "ladrão".

O governo de Modi não conseguiu criar empregos suficientes para os milhões de indianos que entram no mercado de trabalho a cada mês e a chocante e inesperada proibição de dinheiro em espécie em 2016 causou enormes problemas para as famílias.

Os linchamentos de muçulmanos e de membros da casta Dalit por comer carne, sacrificar gado e comercializar com lucro aumentaram durante o mandato de Modi, fazendo com que parte dos 170 milhões de muçulmanos do país se sentissem ameaçados e ansiosos sobre seu futuro.

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