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Israel reforça tropas na Cisjordânia após anúncio do plano de paz de Trump

21.jan.2020 - Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça - Guo Chen/Xinhua
21.jan.2020 - Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça Imagem: Guo Chen/Xinhua

Jerusalém (Israel)

29/01/2020 20h06

O Exército israelense reforçou hoje sua presença na Cisjordânia e nas proximidades de Gaza, um dia depois do anúncio do plano de paz proposto por Donald Trump para o Oriente Médio. Embora a iniciativa americana tenha sido aceita de forma positiva por Israel, na Palestina tem profunda rejeição.

Esta noite, pouco depois do anúncio sobre os reforços militares, foi registrado o disparo de um míssil contra Israel procedente da Faixa de Gaza, segundo informações do exército israelense.

Em resposta, o exército de Israel, por sua vez, anunciou que "caças (israelenses) atacaram vários alvos terrestres do Hamas no sul da Faixa de Gaza".

Novos protestos contra o plano de paz ocorreram nesta quarta-feira na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, deixando vários feridos. Os líderes palestinos consideram que a proposta de Washington favorece os interesses israelenses.

O presidente palestino Mahmud Abbas, que rejeitou propostas de diálogo com o Estados Unidos nos últimos meses, declarou que o plano "não acontecerá".

Abas deve explicar diante do Conselho de Segurança da ONU em até duas semanas sobre a recusa ao plano, anunciou nesta quarta-feira o embaixador palestino nas Nações Unidas, Riyad Mansur.

O plano da Casa Branca daria a Israel a soberania sobre o Vale do rio Jordão, uma grande área estratégica da Cisjordânia ocupada desde 1967. É nesse local que o exército israelense acaba de fortalecer a sua presença e deve se tornar a nova fronteira oriental do país.

Com uma bandeira palestina em mãos, Thabit Atiya, de 52 anos, participou de uma manifestação nesta quarta-feira em Tubas, situada no vale.

"Estou aqui para expressar minha oposição contra o plano de Trump", contou à AFP. "Queremos mostrar que a Palestina não está vazia e que seus habitantes continuam aqui".

Oportunidade única

De acordo com o plano, Jerusalém continuará sendo "a capital indivisível de Israel". Além disso, há a proposta de criação de uma capital do Estado palestino nas proximidades da parte leste de Israel. Em resposta, a Palestina considera que trata-se de uma proposta inaceitável.

"É impossível para qualquer criança, árabe ou palestina, aceitar que Jerusalém não seja considerada como capital" de um Estado palestino, disse Abas, cujo posicionamento coincide com o do movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, enclave geograficamente separado da Cisjordânia.

"O acordo americano de paz para o Oriente Médio apenas copiou o plano de Netanyahu", criticou Saëb Erekat, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

"Esse plano não trará nenhuma solução e aumentará não somente as tensões, mas provavelmente a violência e o derramamento de sangue", afirmaram as Igrejas Católicas da Terra Santa, em comunicado conjunto oficial.

Da parte israelense, as reações foram diferentes.

"A história bateu em nossa porta ontem à noite e nos deu a oportunidade única de aplicar a lei israelense em todas as colônias na Judeia e Samaria (nome dado pelas autoridades de Israel à Cisjordânia) e no vale do rio Jordão", parabenizou o ministro de Defesa, Naftali Bennett.

No entanto, há membros da direita radical, aliados a Netanyahu, que se mostraram contra alguns pontos do plano americano que propõe a criação de um Estado palestino desmilitarizado.

"Não deixaremos que a segurança de locais como Judeia e Samaria seja ameaçada", afirmou Ysrael Gantz, uma das autoridades à frente das colônias no setor de Ramala, na Cisjordânia.

Benny Gantz, principal rival de Netanyahu nas próximas eleições, solicitou nesta quarta-feira à noite que o parlamento israelense vote "sobre o conjunto" de propostas existentes no plano.

Traição do século

No mundo, o plano de paz foi recebido de forma cautelosa. Apenas Ankara e o Irã reagiram imediatamente, mostrando-se contrários à proposta. O Irã intitulou a iniciativa como "a traição do século".

A ONU, por sua vez, respondeu que continuará reconhecendo as fronteiras definidas em 1967, assim como afirmou a Jordânia. O Egito, que possui acordo de paz com Israel, tomou uma posição prudente ao sugerir que as partes envolvidas examinem atentamente as propostas do acordo de paz.

Hoje, a França chamou a atenção para a necessidade de uma solução que respeite o direito internacional para todas as partes envolvidas.

A Arábia Saudita disse que aprecia os esforços de Trump e sugeriu que Israel e Palestina negociem diretamente. O reino, no entanto, reafirmou o seu compromisso inquebrável com os palestinos.

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