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Ciclone Amphan devasta Índia e Bangladesh e deixa mais de 80 mortos

Ciclone Amphan atingiu o leste da Índia com chuvas, ventos e ondas fortes e tornou-se uma das tempestades mais fortes a atingirem a região em cerca de uma década - Arun SANKAR / AFP
Ciclone Amphan atingiu o leste da Índia com chuvas, ventos e ondas fortes e tornou-se uma das tempestades mais fortes a atingirem a região em cerca de uma década Imagem: Arun SANKAR / AFP

21/05/2020 09h56

Centenas de vilas costeiras inundaram, colheitas perdidas e casas destruídas aos milhares: a passagem do ciclone Amphan deixou, hoje, cenas de "devastação sem precedentes" na Índia e Bangladesh e fez 84 mortos.

Quase 24 horas após a chegada à terra do ciclone, o mais poderoso a se formar na Baía de Bengala no século XXI, a perda de vidas humanas parece provisoriamente muito menor do que a causada no passado recente por outros ciclones na região, que algumas vezes deixaram vários milhares de mortos.

A Índia contabilizou 72 mortes no estado de Bengala Ocidental e Bangladesh registrou 12 pessoas mortas em seu território, segundo balanços oficiais ainda provisórios.

Experientes no gerenciamento de ciclones e com sistemas eficazes de monitoramento climático, os dois países do sul da Ásia evacuaram mais de três milhões de pessoas como medida preventiva.

"Foi uma tempestade poderosa. Mas gradualmente perdeu força nos três dias antes de atingir o estado indiano de Bengala Ocidental", declarou à AFP Nayeem Wahra, especialista em desastres naturais em Bangladesh.

Depois de surgir no último fim de semana na Índia, Amphan alcançou na quarta-feira à tarde o sul da grande cidade de Calcutá, acompanhado por ventos de 165 km/h e chuva torrencial.

Enquanto os ventos varriam a cidade de Tala, em Bangladesh, Shafiqul Islam passou três horas intermináveis escondido debaixo da cama com sua esposa e dois filhos, consumido pelo remorso de ter cometido o "grande erro" de não ir com a família para um abrigo.

Quando finalmente saiu, "a casa estava destruída. A maioria das casas de nossos vizinhos estava no chão", relatou o agricultor de 40 anos.

"Estivemos à beira da morte", suspirou.

Ao derrubar postes e destruir cabos e transformadores, o ciclone provocou cortes de energia que afetaram 15 milhões de pessoas em Bangladesh.

Esta manhã, 10 milhões seguiam sem energia.

Na cidade de Buri Goalini, em Bangladesh, uma das mais afetadas, "o ciclone não matou pessoas. Mas destruiu nossos meios de subsistência", disse à AFP Bhabotosh Kumar Mondal. Esse funcionário municipal descreveu "um rastro de devastação".

Um aumento abrupto do nível do mar causado pelos ventos - às vezes de três metros de altura - submergiu parte da costa e fez com que ondas de água salgada alcançasse os vilarejos.

Segundo Nayeem Wahra, a "onda de tempestade" causada pelo ciclone Amphan foi, no entanto, menor do que o temido pelos meteorologistas.

Noite de terror

Do outro lado da fronteira, na Índia, a situação é idêntica e os danos de grande magnitude.

"O ciclone Amphan devastou a costa de Bengala Ocidental. Milhares de casas foram derrubadas, árvores arrancadas, estradas submersas e colheitas destruídas", disse a repórteres Mamata Banerjee, a ministra-chefe do estado.

Depois de uma noite de terror, os 15 milhões de habitantes de Calcutá acordaram com o espetáculo de uma cidade com ruas inundadas, carros cheios de água e avenidas interditadas por árvores e postes elétricos derrubados.

As imagens mostram a pista do aeroporto internacional da cidade coberta de água.

Nesta quinta, ciclone Amphan perdia força e seguia na direção norte, degradado para uma depressão tropical.

Na segunda, ele alcançou a categoria 4 de 5 na escala Saffir-Simpson, com ventos de 200 a 240 km/h.

É o ciclone mais poderoso a nascer na Baía de Bengala desde 1999, quando um ciclone matou 10.000 pessoas em Odisha, um estado costeiro no leste da Índia.

Os países da região aprenderam as lições dos devastadores ciclones das décadas anteriores: construíram milhares de abrigos para a população e implementaram políticas de evacuação rápida.

A pandemia de coronavírus, no entanto, tornou seu trabalho muito mais difícil este ano.

Para impedir a propagação do vírus, as autoridades pediram aos deslocados que respeitassem a distância física nos abrigos e usassem máscaras.

Na prática, essas medidas de precaução foram, no entanto, pouco observadas, constataram jornalistas da AFP.

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