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George Floyd era um 'irmão mais velho', lembram seus colegas de classe

Protesto contra a morte de George Floyd em Nova York - EDUARDO MUNOZ/REUTERS
Protesto contra a morte de George Floyd em Nova York Imagem: EDUARDO MUNOZ/REUTERS

Em Houston (Estados Unidos)

09/06/2020 11h26

Desde que viu as imagens de George Floyd, seu velho amigo de escola, sufocado pelos joelhos de um policial, Mallory Jackson diz que não consegue comer nem dormir muito.

Jackson conheceu Floyd, o afro-americano morto em 25 de maio em Minneapolis pelas mãos de um policial branco, no ensino médio de uma escola do Terceiro Distrito de Houston, no Texas. Lembra dele como um grande atleta, engraçado e gentil.

"Você vê um amigo seu sair na televisão pelos motivos equivocados e sabe que nunca mais o verá", diz Jackson, de 44 anos, que veste uma camisa vermelha com o nome de Floyd e de suas últimas palavras: "I can't breathe" ("Não consigo respirar").

Floyd, cuja morte desencadeou protestos nos Estados Unidos e também em outras partes do mundo, cresceu em Houston, em um bairro de população majoritariamente negra, onde era conhecido por suas notáveis habilidades como atleta e por cuidar dos mais jovens.

No pátio da Jack Yates High School, onde estudaram juntos, Mallory recorda também Floyd como um "brincalhão", com uma presença física imponente, que usava para proteger os mais jovens e não para intimidá-los.

"Sempre esteve nesse papel de irmão mais velho", conta Jackson.

Em 2015, 60% da população do Terceiro Distrito de Houston era afro-americana, contra 23% no restante da cidade, segundo dados do último censo.

O menino que queria ser juiz

Para Redick Edwards IV, que conheceu Floyd em uma quadra de basquete, George se destacava por seu tamanho e velocidade.

"Eu admirava seu estilo de jogo, sabe, com essa altura e ser tão ágil, era definitivamente um grande atleta", afirmou sobre seu amigo de infância, dois anos mais velho que ele e que o ajudou a ganhar a confiança que precisava para jogar melhor.

Edwards ficou sabendo da morte de seu amigo enquanto assistia as notícias na TV durante o jantar, acompanhado de seu filho de nove anos.

"Meu filho me perguntou: 'Por que estão fazendo isso se ele já está algemado e no chão?'", diz Edwards, um técnico em diálise que também é ator.

Embora diga que se sente "frustrado" e "magoado", considera que "é bastante alucinante para alguém de origens humildes (...) que agora todo o mundo saiba seu nome e a injustiça que sofreu".

"Estou sofrendo", confessa, "mas não vou deixar que uma emoção negativa sequestre uma visão maior do que é necessário agora depois de sua morte brutal e agonizante".

Uma das primeiras professoras de Floyd, Waynel Sexton, encontrou em seus arquivos um pequeno texto acompanhado de ilustrações que seu falecido ex-aluno fez por volta dos sete anos, na segunda série, inspirado por Thurgood Marshall, o primeiro negro a se tornar juiz da Suprema Corte dos EUA.

Floyd também aspirou um dia integrar a mais alta corte do país. "Quando as pessoas disserem, 'Meritíssimo, ele roubou o banco', eu direi 'Sente-se'. E se não o fizer, direi ao guarda para levá-lo para fora", lê Sexton as palavras escritas por Floyd, para um trabalho sobre o Mês da História Negra.

"'Então vou bater meu martelo na mesa e então todos se calarão'".

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