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ONU alerta que coronavírus deixará 45 milhões de novos pobres na América Latina

A organização estima que a pobreza extrema vai atingir um total de 96 milhões de pessoas que estão "em risco de fome" - Getty Images
A organização estima que a pobreza extrema vai atingir um total de 96 milhões de pessoas que estão "em risco de fome" Imagem: Getty Images

09/07/2020 13h42

Cerca de 45 milhões de pessoas cairão da classe média para a pobreza na América Latina e no Caribe, a região mais desigual do mundo, devido à pandemia de coronavírus, alertou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, nesta quinta-feira.

"Em um contexto em que já existem grandes desigualdades, altos níveis de trabalho informal e serviços de saúde fragmentados, as populações e pessoas mais vulneráveis são mais uma vez as mais afetadas", disse Guterres em uma mensagem de vídeo, transmitindo um relatório detalhando dos efeitos devastadores do vírus na região.

Epicentro da pandemia, a América Latina e o Caribe já registram mais de três milhões de casos confirmados e mais de 140.000 mortes, principalmente no Brasil, no México, no Peru e no Chile.

A ONU estima que a queda do PIB regional este ano será de 9,1%, a maior em um século.

"Risco de fome"

A organização prevê que, após a pandemia, a taxa de pobreza aumentará 7% em 2020, um aumento de 45 milhões de pessoas, com o qual o número total de pobreza e extrema pobreza na região aumentará para 230 milhões (37,2% da população).

A organização estima que a pobreza extrema crescerá 4,5%, cerca de 28 milhões de pessoas, para afetar um total de 96 milhões (15,5% da população) que estão "em risco de fome", disse Alicia Bárcena, secretária executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal).

A pobreza cresce, em parte, devido à aguda crise econômica causada pelo aumento do desemprego como resultado da desaceleração da economia devido à covid-19.

Cerca de 80% da população da região vive em cidades, milhões delas superlotadas, sem acesso a água potável e serviços de saúde.

A ONU acredita que o desemprego aumentará de 8,1% no ano passado para 13,5%, o que significaria que a região teria mais de 44 milhões de desempregados este ano, cerca de 18 milhões a mais que em 2019.

Mulheres, indígenas, negros, imigrantes e refugiados são desproporcionalmente afetados pela pandemia, segundo a ONU.

Aproximadamente 170 milhões de crianças e adolescentes da região cujas escolas fecharam e não têm acesso total à internet encontram-se, segundo Bárcena, em um "fosso digital".

Após a pandemia, a diferença entre ricos e pobres se aprofundará ainda mais, especialmente nos maiores países, Brasil e México, disse.

Para Guterres, os níveis de desigualdade são "insustentáveis".

"Para melhor reconstruir, é necessário transformar o modelo de desenvolvimento da América Latina e do Caribe", afirmou o chefe da ONU. "Isso implica em criar sistemas tributários mais justos, promover a criação de empregos decentes, fortalecer a sustentabilidade ambiental e reforçar os mecanismos de proteção social", explicou.

Ajuda

As exportações da América Latina e do Caribe cairão 20%, assim como a chegada de remessas de imigrantes que trabalham no exterior, segundo a ONU.

"No caso da América Latina e do Caribe, a comunidade internacional deve fornecer liquidez, assistência financeira e medidas de alívio da dívida", afirmou Guterres.

O relatório pede aos governos que façam mais para reduzir a pobreza, a insegurança alimentar e a desnutrição, por exemplo, por meio de uma renda básica para emergências e alívio da fome que equivale à linha nacional de pobreza.

A ONU estima que o custo desses pagamentos aos pobres por seis meses representaria 1,9% do PIB regional.

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