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Bolívia celebra a independência em meio à pandemia e crise política

06/08/2020 19h02

La Paz, 6 Ago 2020 (AFP) - A Bolívia comemorou nesta quinta-feira (6) o aniversário de sua independência em meio à pandemia e a uma luta política que impediu a presidente interina, Jeanine Áñez, de dirigir sua primeira mensagem anual ao Congresso.

O dia em que se celebra a fundação do país em 1825, após o fim do regime colonial espanhol, se passou em meio a protestos de apoiadores do ex-presidente de esquerda Evo Morales (2006-2019).

Todo dia 6 de agosto, o presidente boliviano dirige uma mensagem anual de seu governo, mas desta vez a presidente do Senado, Eva Copa, do Movimento ao Socialismo (MAS), encerrou a sessão mais cedo.

Áñez pretendia falar por videoconferência, argumentando estar em recuperação da COVID-19, mas Copa não lhe permitiu o discurso alegando que o governo não enviou anteriormente os documentos do relatório anual de gestão.

Sendo assim, a presidente transmitiu sua mensagem na televisão para todo o país a partir do Palácio do Governo e atacou os parlamentares do MAS.

Além disso, pediu aos legisladores do partido de Morales (MAS) que aprovassem um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) que permitiria a entrega de um auxílio às famílias bolivianas mais atingidas pela pandemia.

Esse auxílio de 500 bolivianos (cerca de 72 dólares americanos) seria entregue a cerca de 3,5 milhões de pessoas. O MAS alega que o governo não fez uma justificativa adequada para o uso desses fundos.

- "Há pessoas armadas" -Pelo quarto dia seguido, os bloqueios continuaram em pelo menos seis das nove regiões do país por camponeses e indígenas apoiadores de Morales, refugiado na Argentina desde 2019.

Seus partidários rejeitam o adiamento das eleições de 6 de setembro a 18 de outubro, pois acreditam que ele visa prejudicar a candidatura presidencial de seu sucessor, Luis Arce, que lidera as pesquisas à frente do ex-presidente Carlos Mesa e de Áñez.

As eleições presidenciais e legislativas deste ano estavam originalmente agendadas para 3 de maio e foram adiadas duas vezes devido à pandemia.

Os bloqueios impediram o transporte de suprimentos médicos, enquanto hospitais públicos estão enfrentam falta de oxigênio, essencial para o tratamento de pacientes com COVID-19.

Até o momento, o coronavírus deixou 3.385 mortos e mais de 85.100 infectados no país.

O ministro do Governo (Interior), Arturo Murillo, denunciou nesta quinta-feira que autoridades "identificaram pessoas armadas" em alguns bloqueios e disse que a força pública agirá de qualquer maneira para dispersá-las.

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