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Coronavírus

Quase um milhão de pessoas enfrentam novas restrições em Madrid por covid

Mulher usa máscara com a bandeira da Espanha, em Madri; cidade passou a impor novas restrições para evitar transmissões de covid - EFE/Mariscal
Mulher usa máscara com a bandeira da Espanha, em Madri; cidade passou a impor novas restrições para evitar transmissões de covid Imagem: EFE/Mariscal

21/09/2020 08h31

Quase um milhão de habitantes da região de Madri devem "ficar em casa o maior tempo possível" a partir de hoje para conter a segunda onda da pandemia, enquanto os Estados Unidos se aproximam de 200 mil mortes pelo coronavírus.

Os moradores das zonas mais atingidas de Madri - 850.000 pessoas, ou 13% da população da região - só poderão sair do seu bairro por razões de grande necessidade, como seguir até o trabalho, ir ao médico ou levar os filhos à escola.

Mas poderão circular livremente dentro de sua vizinhança, embora as autoridades regionais recomendem "que fiquem em casa o maior tempo possível".

Da mesma forma, a entrada nessas áreas está proibida, exceto pelas mesmas razões de necessidade. As medidas serão aplicadas por duas semanas.

Nesses bairros ou municípios, localizados na zona sul, a mais pobre, da capital, os parques ficarão fechados, enquanto os bares e restaurantes terão que limitar sua capacidade a 50%.

Não se trata de confinamento em domicílio, como na primavera passada.

"Não penso em nenhum confinamento no país", disse o chefe de Governo, o socialista Pedro Sánchez. "É verdade que não podemos fechar nenhuma porta, porque obviamente o vírus é um agente desconhecido (...) mas acho que agora temos os meios para conter e achatar a curva das infecções", acrescentou.

Sánchez vai se reunir nesta segunda-feira com a presidente conservadora da região de Madri, Isabel Díaz Ayuso, muito criticada pela gestão da crise.

"Temos a impressão de que zombam de nós: podemos continuar trabalhando em outras áreas que não estão confinadas, apesar do risco de aumentar as infecções, e também podemos nos infectar em nossa área", denunciou Bethania Pérez, enfermeira de 31 anos, durante uma manifestação contra as medidas.

- Os 'pandemmys' -Os Estados Unidos continuam sendo o país mais afetado do mundo, com 199.474 mortes até o momento, de acordo com os dados atualizados divulgados no domingo à noite pela Universidade Johns Hopkins.

No país, o coronavírus fez com que a cerimônia do Emmy ocorresse em formato virtual inédito. O chamado Oscar da televisão foi o experimento perfeito, tendo em vista a temporada de premiações de Hollywood em 2021.

As estrelas das séries de televisão assistiram à premiação de suas casas. "Bem-vindos ao pandemmys!", afirmou o apresentador Jimmy Kimmel.

Na Índia, segundo país com mais casos de coronavírus, o Taj Mahal, joia arquitetônica da arte indo-islâmica, reabriu nesta segunda-feira após seis meses de fechamento.

O governo indiano está gradualmente flexibilizando as medidas para dar um alívio à economia, embora o país registre atualmente quase 100.000 novos casos todos os dias.

"Na Índia, e em todo o mundo, as pessoas estão ficando fartas das medidas extremas tomadas para deter o avanço do coronavírus", explicou à AFP Gautam Menon, professor de Física e Biologia da Universidade de Ashoka, que espera um aumento dos casos.

O segundo país com mais mortes e o terceiro com mais casos é o Brasil, onde foram registrados oficialmente 136.895 óbitos e 4.544.629 infecções.

Forte aumento no Líbano

A pandemia causou a morte de pelo menos 957.948 pessoas em todo o mundo desde o final de dezembro, de acordo com um balanço da AFP com base em dados oficiais.

A situação parece preocupante na Bélgica, onde o número de casos positivos ultrapassou 100.000 no domingo, na França, onde mais de 10.000 novos casos foram identificados em 24 horas, ou no Líbano, onde as infecções aumentaram desde a explosão de 4 de agosto no porto de Beirute.

"Eu não consigo dormir. Os números do coronavírus são chocantes", disse o médico Firass Abiad, diretor do Hospital Universitário Rafic Hariri em Beirute.

Embora já esperasse uma alta no número de casos, "o aumento acentuado das mortes, incluindo de um jovem de 18 anos, foi uma notícia terrível", acrescentou.

Em Israel, país que voltou ao confinamento na última sexta-feira, milhares de manifestantes foram autorizados a protestar em Jerusalém na noite de domingo para exigir a renúncia do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acusado de corrupção e criticado por sua administração da crise sanitária.

O novo confinamento generalizado, previsto para durar pelo menos três semanas, desperta o descontentamento de grande parte da população.

Para o príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, a pandemia deve ser vista como um "aviso de que não podemos ignorar" as ameaças que as mudanças climáticas representam para o planeta.

"A crise (ambiental) existe há muitos anos, denunciada, denegrida e negada", advertiu no domingo.

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