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Uma 'mulher extraordinária, sempre sorridente', dizem vizinhos sobre vítima brasileira em Nice

Simone Barreto Silva, brasileira morta em atentado em basílica de Nice (França) - Reprodução/Facebook
Simone Barreto Silva, brasileira morta em atentado em basílica de Nice (França) Imagem: Reprodução/Facebook

Da AFP, em Nice (França)

30/10/2020 16h36

Simone Barreto Silva, uma brasileira de 44 anos, mãe de três filhos, que está entre as três vítimas do ataque jihadista de ontem a uma igreja em Nice, na França, sempre estava com um sorriso no rosto, lembram seus vizinhos e amigos.

"Simone era uma mulher extraordinária, sempre sorridente, se dava bem com todo mundo. Ela vinha muitas vezes comer com sua família e irmã. São boas pessoas", disse à AFP Angela Tavarès, dona de um bar e restaurante de comida africana no térreo do prédio onde a vítima morava.

Simone nasceu em Salvador (BA), mas morava na França havia muitos anos. Mãe solteira, ela morava em Gambetta, um bairro popular da cidade de Nice, no sudeste da França, com seus três filhos, dois deles ainda crianças.

A ex-dançarina de samba costumava parar para tomar um café neste restaurante antes de pegar os filhos na escola. "Outro dia, colocamos uma música e ficamos dançando", relembra a dona do estabelecimento, com lágrimas nos olhos.

Simone estava na Basílica de Notre-Dame de Nice na quinta-feira quando um homem tunisiano de 21 anos, armado com uma faca, atacou os fiéis.

"Ela estava lá rezando, quando entrou este cara que odeia os cristãos (...) e esfaqueou aquela senhora lá dentro", lamentou o presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal no Facebook, na qual descreveu o ataque como um ato de "cristofobia".

"Diga aos meus filhos que os amo"

Gravemente ferida, Simone conseguiu fugir e se refugiou em um restaurante próximo. Possivelmente foi ela quem, com este gesto de coragem, foi capaz de pôr fim ao drama antes que houvesse mais vítimas.

"Ela atravessou a rua coberta de sangue (...). Ainda falava, dizia que tinha alguém dentro (da igreja)", contou Brahim Jelloule, dono do estabelecimento, à rádio France Info.

O irmão de Jelloule e um funcionário do restaurante tentaram entrar na igreja, mas viram o agressor armado com a faca. De acordo com Jelloule, Simone morreu uma hora e meia depois de ser ferida.

"Diga aos meus filhos que os amo", conseguiu dizer antes de falecer, segundo depoimentos divulgados pela rede francesa BFM TV.

Simone trabalhava cuidando de idosos, mas sua paixão era cozinhar. "Ela participou do nosso projeto 'Estrelas e mulheres'", disse à AFP Nathalie Moya, que coordena um programa para mulheres que desejam adquirir formação culinária, na associação "Forum Jorge François", em Nice.

"Ela recebeu seu diploma há dois anos e queria abrir seu próprio restaurante", acrescentou Moya, que descreveu Simone como uma mulher "alegre", "que estava sempre abraçando alguém".

"Amava a todos. Se queriam atingir um símbolo, o da alegria de viver, não poderiam ter encontrado um alvo melhor", destacou Moya.

Myriam Touil, uma de suas amigas, entrevistada pela BFM, a descreveu como uma mulher de fé, "corajosa", e "generosa". "Ela levava seus filhos à igreja todos os domingos. Era crente, mas tolerante, amava a todos", disse.

O sacristão e a sexagenária

As outras duas vítimas do atentado em Nice são uma mulher de 60 anos que foi degolada pelo agressor e o sacristão da basílica, Vincent Loquès, que completaria 55 anos nesta sexta-feira. Ambos morreram dentro do templo.

"Ele era um bom homem. Cuidava da igreja para mantê-la sempre bonita e limpa", disse o padre da paróquia, Franklin Parmentier. Todos os dias Loquès abria as portas do templo para os fiéis e sempre os recebia com um sorriso.

Ele estava no segundo casamento e era pai de duas mulheres, que teve com sua primeira esposa.

Até o momento, o nome da terceira vítima é desconhecido. Sabe-se apenas que era uma mulher casada, de 60 anos e mãe de filhos já adultos. Segundo fonte próxima à investigação, costumava ir à basílica de Notre-Dame para rezar.

O promotor antiterrorismo Jean-François Ricard disse que seu corpo foi encontrado na entrada da igreja. "Ela tinha um corte muito profundo na garganta, quase uma decapitação", explicou.

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