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Filho de presidente falecido assume o governo com plenos poderes no Chade

Arquivo - Mahamat Idriss Déby assumiu o governo com plenos poderes, apesar de sua inexperiência - Kenzo Tribouillard/AFP
Arquivo - Mahamat Idriss Déby assumiu o governo com plenos poderes, apesar de sua inexperiência Imagem: Kenzo Tribouillard/AFP

Em N'Djamena

21/04/2021 12h39

O general Mahamat Idriss Déby, comandante do CMT (Conselho Militar de Transição) instaurado ontem após a morte de seu pai Idriss Déby Itno, que presidiu o Chade por 30 anos, assumiu hoje o governo com plenos poderes, apesar de sua inexperiência.

O jovem general de 37 anos dissolveu a Assembleia Nacional e o governo e "ocupa as funções de presidente da República, chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas", afirma um documento publicado pelos organismos de transição.

Mahamat Idriss Déby nomeou por decreto ontem outros 14 generais para o CMT, responsável por organizar a transição de 18 meses antes das prometidas "eleições livres e democráticas".

Idriss Déby Itno, que permaneceu 30 anos no poder, faleceu ontem em consequências dos ferimentos que sofreu durante uma operação militar contra os rebeldes no norte do país.

Após a tomada de poder pelo filho do Déby Itno, os principais partidos de oposição denunciaram um "golpe de Estado institucional".

Quase 30 "partidos políticos da oposição democrática pedem a instauração de uma transição liderada por civis (...) por meio de um diálogo inclusivo" em um comunicado publicado nesta quarta-feira.

Mahamat Idriss Déby "é muito jovem e não é particularmente apreciado pelos demais oficiais", declarou à AFP Roland Marchal, analista do Ceri (Centro de Pesquisas Internacionais) de Ciências Políticas em Paris.

Em N'Djamena a vida recuperava o ritmo normal, mas de forma tímida. Bancos, mercados e a maioria das lojas abriram as portas hoje. Diante dos ministérios, com bandeiras a meio mastro, os funcionários debatiam as incertezas para o futuro do país.

Os rebeldes, que há 10 dias executam uma ofensiva a partir da Líbia contra o regime chadiano, prometeram chegar à capital e rejeitaram de maneira categórica a instauração do Conselho Militar. "Nós vamos prosseguir com a ofensiva", declarou Kingabé Ogouzeimi de Tapol, porta-voz da FACT (Frente para a Alternância e a Concórdia no Chade).

Com a morte do presidente Idriss Déby Itno, os países ocidentais — especialmente a França — perdem o aliado mais sólido na luta contra os extremistas na turbulenta região do Sahel. O Chade, ex-colônia francesa cercada por Estados falidos, era considerado um oásis de relativa estabilidade.

Desde sua chegada ao poder pela via das armas em 1990, Idriss Déby sempre contou com o apoio da França, que instalou em N'Djamena o quartel-general de sua força antijihadista Barkhane no Sahel.

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