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Facção rebelde assume controle de base militar em Mianmar

Manifestantes protestam contra o golpe militar em Mianmar - STR/AFP
Manifestantes protestam contra o golpe militar em Mianmar Imagem: STR/AFP

Em Yangon

27/04/2021 06h43

Uma das facções rebeldes mais importantes de Mianmar, muito combativa contra a junta que governa o país desde o golpe de Estado, assumiu o controle hoje de uma base militar, o que provoca o temor de novos confrontos violentos com o exército.

A tensão entre os militares e alguns grupos armados é cada vez mais intensa desde que o exército derrubou, em 1º de fevereiro, o governo civil liderado pela vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

Na madrugada de hoje, "nossas tropas tomaram a base" situada no estado de Karen (sudeste), declarou à AFP Padoh Saw Taw Nee, um dos líderes da União Nacional Karen (KNU). Ele não informou se a ação provocou vítimas.

O porta-voz da junta militar, Zaw Min Tun, confirmou o ataque e disse que "medidas serão adotadas" contra a brigada 5 da KNU, responsável pelo ataque.

"Ninguém se atreve a ficar por medo de possíveis represálias do exército birmanês", afirmou à AFP Hkara, que mora na localidade tailandesa de Mae Sam Laep, do outro lado da fronteira.

A KNU afirma abrigar no território que controla quase 2 mil opositores ao golpe de Estado que fugiram de outras cidades do país, após a violenta repressão das forças de segurança.

Milhares de deslocados

No fim de março, esta facção rebelde assumiu o controle de uma base militar e matou 10 soldados.

O exército respondeu com ataques aéreos contra redutos da KNU, pela primeira vez em 20 anos nesta região do país. Quase 24 mil civis abandonaram suas casas.

Desde a independência de Mianmar em 1948, muitas facções étnicas lutam contra o governo central para obter mais autonomia, acesso aos recursos naturais ou a uma parte do lucrativo tráfico de drogas.

A partir de 2015, o exército alcançou um acordo nacional de cessar-fogo com 10 grupos, incluindo a KNU. Mas com a repressão contra os manifestantes que não aceitam o golpe, algumas facções ameaçaram retomar as ações.

Mais de 750 civis morreram em operações das forças de segurança nos últimos dois meses, de acordo com a AAPP (Associação de Ajuda aos Presos Políticos).

Ontem à noite, um vendedor morreu ao ser atingido por um tiro no peito em Mandalay (centro).

A AAPP teme ainda o aumento dos abusos contra a comunidade LGBTIQ. A associação denunciou o caso de uma mulher transexual humilhada e agredida durante sua detenção.

"Lei e ordem"

A mobilização e campanha de desobediência civil continuam, apesar da repressão. Pequenos grupos de manifestantes saíram às ruas novamente hoje.

Os ativistas também publicaram fotos nas redes sociais com os rostos pintados com mensagens contra a junta: "Libertem os detidos!", "Respeitem nossa votação".

O comandante do exército, general Min Aung Hlaing, justificou o golpe com a alegação de supostas fraudes nas eleições legislativas de novembro, vencidas pelo partido de Suu Kyi.

O general fez sua primeira viagem ao exterior desde o golpe. Ele compareceu no fim de semana a uma reunião de cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), que terminou com a divulgação de um documento de cinco pontos para tentar acabar com a violência e promover o diálogo.

As autoridades birmanesas indicaram hoje que examinarão "cuidadosamente as sugestões construtivas" da Asean, mas que "sua prioridade no momento é manter a lei e a ordem".

O ex-presidente americano Barack Obama pediu ontem aos países vizinhos de Mianmar que "reconheçam que um regime assassino rejeitado pela população apenas provocará maior instabilidade e uma crise humanitária" na região.

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