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Cinco coisas para saber sobre Cuba

Apoiadores do governo de Cuba são convocados às ruas na cidade de San Antonio de los Banos - Anadolu Agency/Anadolu Agency via Getty Images
Apoiadores do governo de Cuba são convocados às ruas na cidade de San Antonio de los Banos Imagem: Anadolu Agency/Anadolu Agency via Getty Images

12/07/2021 15h14Atualizada em 12/07/2021 16h01

Cuba, a maior ilha das Antilhas, onde ocorreram no domingo protestos sem precedentes contra o governo, é um dos últimos países comunistas do mundo e ainda enfrenta um embargo americano herdado da Guerra Fria.

A maior das Antilhas

Descoberta por Cristóvão Colombo em 1492, Cuba, uma ex-colônia espanhola que se tornou independente em 1902, é a maior ilha do Caribe com uma área de 110.860 km2 e 11,2 milhões de habitantes.

A escravidão, abolida em 1886, tornou-se uma força de trabalho de origem africana que substituiu as comunidades indígenas dizimadas.

60 anos de regime castrista

Em 1º de janeiro de 1959, Fulgencio Batista, no poder desde 1952 após um golpe de Estado, foi derrubado pelos "barbudos" de Fidel Castro. O "líder máximo" estabeleceu uma República Socialista dois anos depois.

Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Havana em 1961 e apoiaram uma tentativa fracassada de invasão para derrubar Castro na Baía dos Porcos. No ano seguinte, a descoberta de mísseis soviéticos em Cuba - localizados a cerca de 150 km ao sul dos Estados Unidos - desencadeou a pior crise nuclear da Guerra Fria.

No mesmo ano, Washington impôs um estrito embargo econômico à ilha, ainda em vigor. Em 31 de julho de 2006, Fidel Castro, doente, pediu a seu irmão Raúl que o substituísse no comando do Estado. Em fevereiro de 2008, Raúl Castro tornou-se oficialmente presidente.

Em abril de 2011, Raúl assumiu a liderança do Partido Comunista de Cuba (PCC), o partido único, fundado em 1965. Fidel morreu em novembro de 2016. Uma nova geração assumiu o governo de Cuba com Miguel Díaz-Canel, presidente desde 2018 e primeiro secretário do PCC desde abril de 2021, após a aposentadoria de Raúl Castro.

No domingo, oprimidos pela crise econômica e de saúde agravada pela covid-19, milhares de cubanos se manifestaram em dezenas de cidades, uma mobilização sem precedentes em Cuba.

Embargo, capacidade de "resolver" e charutos

O embargo permanente dos Estados Unidos fez com que seus habitantes se tornassem especialistas em "resolver", como Cuba chama a capacidade de obter coisas em meio à escassez, seja por meio de reciclagem, conserto e assim por diante.

Privada de subsídios soviéticos desde a desintegração da URSS em 1990, a ilha tornou-se altamente dependente da Venezuela, um fornecedor de petróleo em condições privilegiadas, pago com serviços médicos.

Mas Caracas enfrenta uma crise muito séria e também está sujeita ao embargo dos Estados Unidos. Assim, a China assumiu em 2017 o seu lugar como o maior parceiro comercial de Cuba.

A economia cubana caiu 11% em 2020, seu maior colapso em quase 30 anos, com a ausência de turistas devido à pandemia e o endurecimento do embargo dos Estados Unidos sob mandato do ex-presidente Donald Trump (2017-2021), após um breve degelo das relações durante a gestão de seu antecessor, Barak Obama, que motivou o restabelecimento das relações diplomáticas.

O tabaco, com seus famosos charutos cubanos, níquel, açúcar, mariscos, remédios e serviços médicos -especialmente o envio de médicos cubanos para o exterior- são os principais produtos de exportação cubanos.

As remessas são a segunda fonte de divisas de Cuba, depois da exportação de serviços médicos.

Abertura econômica

Raúl Castro iniciou reformas para "atualizar" um modelo econômico esgotado, inspirado no soviético. Permitiu o pequeno empreendedorismo privado e maior abertura ao investimento estrangeiro, sempre preservando as "conquistas do socialismo" em uma economia ainda controlada pelo Estado.

A chegada da internet móvel (3G) no final de 2018 permitiu a expressão de um descontentamento social sem precedentes em Cuba.

Nos últimos meses, o governo acelerou a modernização da economia.

No início deste ano, Cuba unificou suas duas moedas locais com o objetivo de tornar sua economia mais eficiente e mais clara para os investidores estrangeiros.

O governo também decidiu abrir a maioria das atividades econômicas ao setor privado (exceto em áreas-chave como imprensa, saúde, educação).

Vacinas próprias

Cuba, que começou a projetar e produzir suas próprias vacinas na década de 1980, está desenvolvendo cinco vacinas candidatas contra covid-19.

O país acaba de autorizar o uso emergencial da mais avançada delas, a Abdala, primeira vacina anticovid criada na América Latina.

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