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Colombiano é indiciado nos EUA como suspeito do assassinato do presidente do Haiti

Jovenel Moise, presidente do Haiti, durante Assembleia Geral da ONU em 2018 - TIMOTHY A. CLARY/AFP
Jovenel Moise, presidente do Haiti, durante Assembleia Geral da ONU em 2018 Imagem: TIMOTHY A. CLARY/AFP

04/01/2022 18h57

Um militar colombiano reformado foi indiciado nesta terça-feira (4) nos Estados Unidos pela suposta participação no assassinato do presidente haitiano Jovenel Moise em julho passado, informou o Departamento de Justiça americano.

Mario Antonio Palacios, de 43 anos, é acusado de participar "de um complô para sequestrar ou assassinar" o presidente haitiano, destacou o Departamento em um comunicado.

Palacios, acusado de fazer parte de um grupo de 20 homens que matou o presidente do Haiti em sua residência em Porto Príncipe, foi detido na segunda-feira em um aeroporto do Panamá durante a escala de um voo procedente da Jamaica com destino à Colômbia, antes de ser extraditado para Miami, onde comparecerá perante um tribunal nesta terça.

Se for declarado culpado das acusações contra ele, pode ser condenado à prisão perpétua.

O Ministério Público americano afirma que o complô contra Moise "inicialmente se concentrou em sequestrar o presidente como parte de uma suposta operação de detenção", mas "finalmente resultou em um complô para assassinar".

Os promotores afirmam na ação que "em 7 de julho de 2021, Palacios e outros entraram na residência do presidente no Haiti com a intenção e o propósito de matar o presidente Moise, e de fato do presidente foi assassinado".

Palacios foi detido em outubro na Jamaica e nesta terça dirigia-se para a Colômbia após ter sido deportado do país caribenho por falta de provas.

No entanto, ao fazer escala no aeroporto internacional de Tocumen, foi detido pelas autoridades panamenhas.

Segundo a diretora do Serviço Nacional de Migração panamenho, Samira Gozaine, após sua detenção, Palacios "aceitou se acolher na extradição voluntária e por isso ontem à noite mesmo embarcou em um voo para Miami".

O FBI, polícia federal americana, investiga o caso com outros sócios, como os agentes da Investigações de Segurança Interior (HSI, o Homeland Security Investigations).

Embora vários haitianos, dois americanos e cerca de 15 colombianos acusados de participar do assassinato de Moise foram detidos na prisão de Porto Príncipe desde o verão no hemisfério norte, a investigação sobre el magnicídio não parece avançar.

Crise

O homicídio do presidente aprofundou a grave crise política na qual o Haiti está mergulhado há anos.

O atual primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry, também denunciou ter sido alvo de uma tentativa de assassinato.

Em entrevista com a AFP publicada nesta segunda, Henry disse que teve que abandonar precipitadamente as comemorações da festa nacional, celebradas no sábado, na cidade de Gonaives, sob rajadas de tiros que atingiram seu carro blindado.

Sem um Parlamento funcional há dois anos e com um poder judicial paralisado, o Haiti, o país mais pobre do Caribe, sofre com uma crise de governança.

O crescente controle das gangues no território nacional míngua as esperanças de uma melhora das condições de vida da população, vítima de sequestros cometidos diariamente por bandos armados.

Ao menos 950 sequestros foram registrados no Haiti em 2021, segundo o Centro de Análise e Investigação de Direitos Humanos, com sede em Porto Príncipe.

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