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4 meses

Rússia e EUA concordam em se reunir na próxima semana para discutir a crise na Ucrânia

21/01/2022 12h54

A Rússia e os Estados Unidos se reunirão "na próxima semana" depois de manter conversas "francas" nesta sexta-feira (21) sobre a crise em torno da Ucrânia, em cuja fronteira as forças militares russas ainda estão concentradas.

A reunião de hoje em Genebra entre os chefes da diplomacia russa, Serguei Lavrov, e americana, Antony Blinken, é a mais recente de uma série de iniciativas diplomáticas que começaram com duas conversas telefônicas entre Vladimir Putin e Joe Biden em dezembro.

Embora o tom tenha sido "franco e substancial", de acordo com Blinken, pouco serviu para acalmar as tensões após semanas de escalada verbal.

Serguei Lavrov disse que concordou com o secretário de Estado dos EUA com "um diálogo razoável" para "acalmar as emoções" após menos de duas horas de reunião.

Washington acredita que a perspectiva de uma incursão militar russa na Ucrânia é cada vez mais provável, com dezenas de milhares de soldados posicionados há semanas perto de seu vizinho pró-ocidental.

O chefe da diplomacia dos EUA pediu à Rússia que mostre que não tem intenção de invadir seu vizinho e "uma boa maneira de começar seria diminuir a escalada, retirar essas forças da fronteira com a Ucrânia", disse Blinken.

O Kremlin nega qualquer intenção bélica, mas condiciona a desescalada à assinatura de tratados que garantam a não expansão da Otan e a retirada da Aliança do Leste Europeu. Algo inaceitável, segundo o Ocidente, que ameaça a Rússia com duras sanções se atacar a Ucrânia.

Blinken concordou em colocar "ideias" na mesa na próxima semana, mas não disse se elas atenderiam às exigências detalhadas dos russos. No entanto, o americano alertou que haveria uma resposta mesmo em caso de agressão "não militar" da Rússia contra a Ucrânia.

"Não sei se estamos no caminho certo", disse Lavrov, enquanto seu colega garantiu que "agora estamos no caminho certo para entender as preocupações e posições um do outro".

Os dois homens concordaram em se encontrar novamente, e Blinken não descartou uma cúpula entre Joe Biden e Vladimir Putin. Uma ideia que Lavrov considerava prematura.

Retorno à Otan de 1997

Como sinal da complexidade da situação, a diplomacia russa escolheu esta sexta-feira, dia das negociações, para insistir na retirada das tropas estrangeiras dos países da Otan que aderiram à Aliança após 1997.

Moscou mencionou especificamente a Bulgária e a Romênia, embora a lista inclua 14 países do antigo bloco comunista. Uma exigência inaceitável, segundo o Ministério das Relações Exteriores romeno, que ecoou a posição de todos os membros da Aliança.

O serviço de inteligência militar da Ucrânia acusou Moscou nesta sexta-feira de continuar a "fortalecer as capacidades de combate" dos separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, com tanques, sistemas de artilharia e munição.

A Rússia é considerada, apesar de suas negações, como a principal apoiadora desses combatentes e instigadora do conflito que deixou mais de 13.000 mortos desde 2014. Nesse mesmo ano anexou a Crimeia em resposta a uma revolução pró-ocidental em Kiev.

O presidente da câmara baixa russa, Viacheslav Volódin, anunciou que o Parlamento vai debater na próxima semana um pedido para Putin reconhecer a independência dos dois territórios separatistas de Donetsk e Lugansk.

A reunião de Genebra conclui uma viagem pela Europa de Antony Blinken para se encontrar com seus aliados ucranianos, alemães, franceses e britânicos.

Europeus e americanos insistiram que Moscou enfrentará duras sanções se atacar a Ucrânia. Uma ameaça que o Kremlin ignorou por oito anos e que não o fez mudar sua política.

Para Moscou, o principal objetivo é fazer a Otan recuar, já que a aliança é percebida como uma ameaça.

Para os americanos, uma retirada da Europa não é uma opção, embora o governo Biden diga que está disposto a discutir os temores russos por sua segurança.

Uma possibilidade seria trabalhar no extinto tratado de desarmamento nuclear assinado durante a Guerra Fria, que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, enterrou.

Enquanto isso, Moscou continua a demonstrar seu poderio militar. Os exemplos mais recentes são exercícios militares em Belarus, ao norte da Ucrânia, e exercícios navais em grande escala em janeiro e fevereiro no Atlântico, Ártico, Pacífico e Mediterrâneo.

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